Terrorismo dos EUA - Militares dos Estados Unidos invadem a Venezuela, matam 40 pessoas e sequestram presidente Maduro e Cília Flores. Um crime internacional já praticado antes pelo país que, em crise, ameaça o mundo. Feministas, repudiamos ato de guerra, exigimos soberania, paz e justiça.


A Articulação de Mulheres Brasileiras, AMB, repudia de forma veemente o ataque dos Estados Unidos à Venezuela ocorrido neste 3 de janeiro de 2026, e defenderá nas ruas os direitos do povo venezuelano.
O sequestro do presidente Maduro e sua esposa e o bombardeio ocorrido nesta madrugada, sob alegação de combate ao narcotráfico, é uma declaração de guerra para que o governo americano capture o petróleo, minerais raros e outras riquezas do país. Isso coloca toda a América Latina em risco.
Trump intenciona redefinir a geopolítica do mundo, com zonas sobre controle econômico e militar das grandes potências, para o império americano que está em vias de ruir.
Nós, da AMB, movimento feminista popular e antissistêmico, exigimos do governo brasileiro posição firme em defesa da pátria grande latino americana e atuação contundente em respeito ao direito internacional, à soberania e a autodeterminação dos povos.
Não à guerra!!!
Pela dignidade, liberdade e autodeterminação do povo venezuelano.
fonte: https://www.instagram.com/p/DTDf0_RDh9e/

Marcha Mundial das Mulheres denuncia agressão imperialista dos EUA à Venezuela
03/01/2026 por @admin
A Marcha Mundial das Mulheres repudia e denuncia a agressão militar perpetrada pelos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela e o sequestro do presidente Nicolas Maduro e sua companheira, na madrugada de 3 de janeiro de 2026. Os ataques são uma violação flagrante do direito internacional e representam o avanço do “corolário Trump” à Doutrina Monroe, a retomada aberta e descarada da política de dominação colonial sobre Nossa América. Esta agressão à Venezuela é uma agressão a todos os povos latino-americanos e caribenhos que ousam construir caminhos soberanos, e como latino-americanas estamos em solidariedade com as mulheres e o povo venezuelano.
Nós, da Marcha Mundial das Mulheres, convocamos todas as nossas companheiras a articular e se mobilizar junto aos movimentos populares em denúncia e solidariedade, para exigir paz e respeito à soberania venezuelana.
Exigimos o cessar imediato da agressão militar dos Estados Unidos. Exigimos que os governos da região se pronunciem com clareza e sejam barreira ao imperialismo. Exigimos respeito à integridade do território venezuelano e à soberania do povo venezuelano sobre sua política, seus recursos e seus bens comuns.
Nos somamos aos povos e governos que se colocam ao lado da Venezuela neste momento decisivo. Como movimento feminista, popular e internacionalista, reafirmamos nosso compromisso com a soberania dos povos e seu direito de construir seu próprio destino.
Marchamos contra as guerras, estamos em luta por soberanias populares.
Fora EUA da Venezuela! Fora Trump da América Latina e do Caribe!
Nota de repúdio: em defesa da soberania da Venezuela e da paz na América Latina
"Expressamos nosso total apoio à classe trabalhadora venezuelana, que é sempre a mais atingida por bloqueios, sanções e intervenções militares", diz a nota
Publicado: 03 Janeiro, 2026 - 11h00
Escrito por: CUT

A Central Única dos Trabalhadores (CUT Brasil), maior organização sindical da América Latina, vem a público manifestar seu mais veemente repúdio aos graves episódios de agressão externa ocorridos neste dia 3 de janeiro de 2026 contra a República Bolivariana da Venezuela.
Tais acontecimentos não representam apenas um ataque a uma nação soberana, mas uma afronta direta à estabilidade democrática de toda a nossa região e aos princípios fundamentais do Direito Internacional. A tentativa de imposição de força e a violação da integridade territorial venezuelana são práticas imperialistas que não possuem lugar no século XXI.
Diante da gravidade dos fatos, a CUT reafirma:
1. Solidariedade de Classe: expressamos nosso total apoio à classe trabalhadora venezuelana, que é sempre a mais atingida por bloqueios, sanções e intervenções militares que desestabilizam a economia, destroem postos de trabalho e precarizam a vida.
2. Defesa da Autodeterminação: reiteramos que o destino da Venezuela deve ser decidido soberanamente por seu povo, sem ingerências externas, pressões militares ou coerções econômicas que ferem a Carta das Nações Unidas e a Carta da OEA.
3. Justiça Social e Soberania: Para a CUT, não existe defesa de direitos trabalhistas sem a defesa
da soberania nacional. A classe trabalhadora brasileira se coloca em prontidão contra qualquer tentativa de transformar o continente em palco de conflitos geopolíticos que servem apenas aos interesses alheios ao bem-estar dos nossos povos.
4. Defesa dos Direitos Humanos: Exigimos a libertação imediata do presidente Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, sequestrados em sua residência por militares norte-americanos.
Não aceitaremos que a força se sobreponha ao diálogo e que a soberania de um povo irmão seja atropelada. A luta por democracia, paz e justiça social é internacional e indivisível.
Pela paz na Venezuela! Pela soberania dos povos da América Latina!
São Paulo, 03 de janeiro de 2026.
Sergio Nobre
Presidente da CUT Brasil
Antonio Lisboa
Secretário de Relações Internacionais da CUT Brasil
Venezuela: "Somos despojos de guerra e um aviso para o mundo". Entrevista com Alejandra Díaz
Existe uma "verdadeira oposição" na Venezuela, uma alternativa tanto à extrema-direita de María Corina Machado quanto ao governo cada vez mais autoritário de Maduro. Essa oposição, longe dos holofotes, geralmente é definida como dissidência chavista, mas também reúne muitas outras forças democráticas e de esquerda. Entre muitas outras, inclui a advogada constitucionalista María Alejandra Díaz, ex-membro da Assembleia Constituinte de 2017, atualmente exilada na Colômbia para escapar da perseguição do governo.
A entrevista é de Claudia Fanti, publicada por il manifesto, 07-01-2026.
Eis a entrevista publicada no IHU.
Foi você, em nome da Frente Popular Democrática, que impulsionou um recurso ao Supremo Tribunal de Justiça, em estrita conformidade com a Constituição, contra a omissão do Conselho Nacional Eleitoral em publicar os resultados da última eleição presidencial, recebendo em resposta a suspensão do exercício da advocacia. Queríamos pedir sua opinião sobre a situação atual na Venezuela e os perigos da nova estratégia de segurança nacional dos EUA. Como você reagiu à agressão militar dos EUA?
Com profunda angústia, também porque mais de 70% da minha família ainda está na Venezuela; com uma profunda incerteza sobre o que acontecerá; com pesar pelas vítimas militares e civis da incursão militar dos EUA; e também com extrema indignação, porque o que aconteceu mostra como os EUA se sentem autorizados a agir como se fossem o xerife do mundo. O que aconteceu com Nicolás Maduro pode acontecer novamente com qualquer presidente ou qualquer autoridade que, aos olhos deles, se apresente como inimigo. É a morte do direito internacional. É um golpe mortal para a ONU, já em profunda crise com o genocídio em Gaza. Hoje, o princípio predominante é "tantum juris quantum potentiae" — cada um tem tanto direito quanto poder e força.
O que você acha da forma como a captura de Maduro foi realizada? Você acha que ele foi traído?
Com essa operação, os Estados Unidos demonstraram todo o seu poderio militar. Em apenas uma hora e meia, com rapidez e precisão, eles "exfiltraram" Maduro, livrando-se com extrema facilidade do serviço de segurança de elite que o protegia.
O que impressiona, no entanto, é que eles sabiam perfeitamente bem o bunker onde Maduro e Cilia Flores estavam; eles até sabiam o cofre onde os dois queriam se trancar.
Esses detalhes foram necessariamente obtidos de alguém próximo a eles. Então eu acredito que, sim, houve uma traição.
O que você acha que pode acontecer agora?
Os Estados Unidos deixaram claro que governarão a Venezuela para garantir uma transição pacífica. Eles veem nosso país como espólio de guerra, determinados a recuperar cada último dólar que, dizem, investiram e que lhes foi roubado. Na mente de Trump,a Venezuela é, na prática, seu protetorado. E parece extremamente irresponsável da parte daqueles que se autodenominam oposição e acreditam deter a maioria no país se manifestarem a favor da invasão. Há agora uma espada de Dâmocles pairando sobre a presidente interina Delcy Rodríguez: "Se você não fizer o que mandamos, pagará um preço mais alto do que Maduro", ameaçou Trump. Mas acredito que os Estados Unidos subestimaram a dignidade do povo venezuelano, o que, tenho certeza, mais cedo ou mais tarde levará a um governo capaz de administrar a riqueza do país para o benefício de todos. Como já foi feito no passado e como o governo Maduro não fez.
Infelizmente, nós, que representávamos a verdadeira oposição aos dois polos do poder, o governo e a extrema-direita, fomos presos ou forçados ao exílio. Atualmente, o salário mínimo na Venezuela é de US$ 0,41 por mês. No entanto, nunca ouvi María Corina Machado falar sobre isso.
São possíveis novas eleições livres e soberanas no contexto atual?
Seria a solução mais lógica. As eleições realizadas em 2024, que presumivelmente foram vencidas por Edmundo González Urrutia, não têm valor legal porque foram realizadas com um Conselho Nacional Eleitoral ilegítimo. Nós, venezuelanos, devemos resolver nossos problemas convocando novas eleições, diante da ausência forçada e definitiva de Maduro — seu sequestro — aplicando os mecanismos constitucionais. Porque não é fora da Constituição que encontraremos uma saída.
Apesar dos apelos à mobilização, até agora ela parece bastante limitada. Você esperava isso?
Há muito tempo que dizemos que o regime de Maduro perdeu o apoio popular. Perdeu-o devido aos erros que cometeu, como a redução dos salários, o desmantelamento das leis trabalhistas e a gestão pouco transparente da riqueza do país. Sem falar da corrupção e da perseguição a qualquer pessoa que pense diferente. Venho das fileiras do chavismo e encontro-me exilado por ter defendido os direitos dos trabalhadores e a soberania popular. Maduro perdeu o apoio popular porque em vez de defender o povo, atacou-o, empobreceu-o e subjugou-o, apesar de o termos alertado antes de 2018. O resultado é que a maioria da população permaneceu confinada em casa em vez de ir às ruas para se defender.
A "Doutrina Donroe", como foi apelidada, representa uma ameaça direta a toda a região da América Latina. Depois da Venezuela, será a vez de outros países?
A "Doutrina Donroe", como foi apelidada, representa uma ameaça direta a toda a região da América Latina. Depois da Venezuela, será a vez de outros países?
O caso Maduro é um exemplo de disciplina para todos os governos latino-americanos e, eu diria, para o mundo inteiro: se você não se alinhar aos interesses dos EUA, pagará um preço muito alto. Eu a chamaria de doutrina do xerife global.
Leia mais
- “Trump não é um lunático, ele tem uma estratégia neofascista”. Entrevista com Iván Cepeda, candidato à presidência da Colômbia
- No capitalismo mafioso Nicolás Maduro veste Nike. Artigo de Ivana Bentes
- A Venezuela é apenas o começo da nova ordem mundial de Trump. Artigo de Owen Jones
- As grandes petrolíferas dos EUA, diante de um negócio bilionário na Venezuela patrocinado por Trump
- Não se trata apenas de petróleo: desdolarização e China, após o golpe de Trump na Venezuela. Artigo de Yago Álvarez Barba
- O inimigo do meu inimigo? Artigo de Jorge Alemán
- Após o sequestro de Maduro, Trump toma medidas para confiscar o petróleo venezuelano
- E se a Venezuela for apenas o começo? Artigo de Francisco Peregil
- O "golpe" de Trump na Venezuela. Artigo de José Luis Ferrando
- A Celac não chega a um consenso sobre a Venezuela
- Forças Especiais dos EUA desempoeiram o drone "Besta de Kandahar" em incursão na Venezuela
- Uma transição estranha na Venezuela. Artigo de Sergio Ramírez
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fonte: https://www.ihu.unisinos.br/661769-alejandra-diaz-somos-despojos-de-guerra-e-um-aviso-para-o-mundo

O SOS Corpo Instituto Feminista para a Democracia repudia o ataque estadunidense à Venezuela e manifesta seu total apoio ao direito de autodeterminação do povo venezuelano.
A ação do governo Trump tem raros precedentes históricos e se constitui uma ameaça para toda a América Latina.
As disputas imperialistas pelas riquezas naturais de distintos territórios e as tentativas de manutenção do seu poder reorganizando a geopolítica do mundo em zonas de controle econômico e militar estão por trás desta guerra travestida de combate ao narcotráfico e de defesa da democracia liberal.
Nós, feministas populares e antirracistas, defendemos a paz e o direito humano inalienável dos povos definirem seus destinos. Nós mulheres estamos entre as que mais sofremos as consequências das guerras, sustentando as resistências e tendo nossos corpos como objeto de disputa patriarcal.
É fundamental a organização popular e solidária ao povo venezuelano e em defesa da grande pátria latinoamericana.
Recife, 03 de janeiro de 2026.
https://www.instagram.com/p/DTDkM1djx8y/?igsh=Y2xpMmV1bmR1NGdr
Quem é Cilia Flores
A esposa do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, Cilia Flores, foi capturada junto com ele em um ataque militar dos Estados Unidos na capital venezuelana, Caracas, na madrugada de sábado, 3 de janeiro de 2026. Segundo o presidente dos EUA, Donald Trump, a operação durou 47 segundos e resultou na prisão de ambos, que foram levados para fora do país. Cilia Flores, conhecida como "primeira combatente" no chavismo, é advogada, ex-presidente da Assembleia Nacional e figura influente no governo venezuelano desde os primórdios do movimento chavista.
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Cilia Flores nasceu em 1956 em Tinaquillo, estado de Cojedes, e conheceu Maduro nos anos 1990, durante a atuação de ambos em defesa de Hugo Chávez, incluindo a defesa legal após o golpe de 1992.
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Ela foi a primeira mulher a presidir a Assembleia Nacional da Venezuela e ocupou cargos importantes no Partido Socialista Unido da Venezuela.Flores enfrenta sanções internacionais desde 2018 e teve familiares envolvidos em casos de tráfico de drogas, incluindo dois sobrinhos condenados nos EUA.
MST está com o povo venezuelano
O imperialismo escala a ofensiva à Revolução Bolivariana, violando a soberania daquele povo, com o único interesse de manter sua intervenção na região e monopolizar o petróleo venezuelano

Foto: Arquivo MST
Da Página do MST
Na madrugada deste sábado (3), recebemos as notícias do ataque criminoso do imperialismo estadunidense à Venezuela. A ação é o ponto máximo de uma série de agressões que há anos já ocorre à soberania daquele país. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra reafirma sua solidariedade ao povo venezuelano e denuncia o governo Trump por seus atos de guerra.
O imperialismo nunca aceitou o povo venezuelano tomar em suas mãos o futuro daquele país, por meio da Revolução Bolivariana. Desde quando o comandante Chávez estava à frente da Revolução, o imperialismo sempre buscou combater a soberania popular conquistada. Sua intenção é fazer com que a Venezuela volte a estar de joelhos, entregando seu petróleo aos EUA, assim como era antes da Revolução.
As tentativas de desestabilização, embargos, golpes, boicotes e outras formas de ação são armas utilizadas pelo imperialismo para derrotar a Revolução. E, nos últimos meses, vimos uma escalada destas agressões, com a mobilização de navios de guerra, aeronaves militares e fuzileiros navais dos EUA.
O ataque deste sábado é uma ação de guerra e de saque. Os sequestros de navios petroleiros nas últimas semanas evidenciaram que o único interesse dos EUA não é por “democracia” ou “liberdade”, mas por petróleo. Trump se tornou o maior pirata da atualidade. Não suficiente, também sequestraram o Presidente Nicolás Maduro.
Além disso, o governo estadunidense repete sua fórmula de intervenções militares na América Latina. Resgataram a Doutrina Monroe, para afirmarem que nossa região é o quintal do imperialismo. Os EUA temem a possibilidade de perder sua influência para iniciativas populares e anti-imperialista desde o Sul Global.
Enquanto MST, reafirmamos nossa solidariedade histórica ao povo venezuelano e à Revolução Bolivariana. Estaremos ao lado daquele povo que ousa desafiar o imperialismo e serem protagonistas de seu futuro.
Informamos que nossos estudantes, militantes e dirigentes que cumprem tarefas na Venezuela estão em segurança e em locais que não foram atacados. Internamente às nossas instâncias, manteremos nossas famílias informadas.
Convocamos todas as organizações populares do Brasil e do mundo a se somarem em solidariedade à Venezuela. Nossas/os irmãs e irmãos daquele país necessitam do apoio do povo brasileiro.
Viva o povo venezuelano!
Fora imperialismo! Tire as mãos da América Latina!
São Paulo, 3 de janeiro de 2025
*Editado por Inaiá Misnerovicz
fonte: https://mst.org.br/2026/01/03/mst-esta-com-o-povo-venezuelano/
‘Tirem as mãos da Venezuela’: manifestantes protestam em diversas cidades do mundo contra ação dos EUA
Atos foram convocados ao longo do sábado(03), após ataques dos EUA contra a Venezuela
Diversas cidades ao redor do mundo registraram protestos neste sábado (3) contra os ataques militares dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro. A ofensiva, comandada pelo governo de Donald Trump, começou por volta das 2h50 (horário de Caracas) e atingiu alvos civis e militares em Caracas, além de instalações nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.
O governo venezuelano denunciou a ação como uma violação flagrante da soberania nacional, e a vice-presidenta Delcy Rodríguez exigiu a liberação de Nicolás Maduro e Cilia Flores, reiterando que o único presidente legítimo da Venezuela continua sendo Maduro. Em pronunciamento, ela afirmou que o país não voltará a ser colônia de nenhum império e convocou a população à defesa da soberania nacional em união cívico-militar.
Em Washington, manifestantes se reuniram em frente à Casa Branca para condenar a operação militar. Cartazes exibiam frases como “Trump bombardeou a Venezuela sem autoridade”, denunciando o caráter unilateral da intervenção. Em Londres, o protesto foi realizado diante da embaixada dos Estados Unidos, com palavras de ordem como “Tirem as mãos da Venezuela” e pedidos pela libertação imediata de Maduro.

“Pare de roubar petróleo”, diz um dos cartazes do protesto em frente à Casa Branca, neste sábado (3) (Foto: Mandel NGAN / AFP)
Na Argentina, atos ocorreram em Buenos Aires e em Rosário, com concentração em frente à embaixada estadunidense sob forte aparato policial. Manifestações também foram registradas no México e no Chile, com faixas e palavras de ordem em defesa da soberania venezuelana.
Na Europa, organizações sindicais, partidos de esquerda e entidades de defesa dos direitos de migrantes convocaram mobilizações em Berlim, Barcelona, Marselha, Paris e Atenas. Os protestos denunciaram o imperialismo estadunidense e exigiram posicionamento de seus governos contra a ação militar liderada por Trump. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, declarou que o país “não tem qualquer relação com a captura de Maduro”.
Em Cuba, os atos foram liderados pelo próprio presidente Miguel Díaz-Canel. Com cartazes pedindo o fim do imperialismo dos EUA, a população ocupou as ruas em solidariedade ao povo venezuelano. Díaz-Canel classificou os ataques como “brutais, traiçoeiros, inaceitáveis e vulgares” e afirmou: “A terra de Bolívar é sagrada, e um ataque a ela é um ataque a todos os filhos dignos da América”.
Internamente, a Venezuela também segue mobilizada. Segundo a emissora Telesur, parceira do Brasil de Fato, manifestações ocorrem em Caracas e no interior do país. Na capital, moradores ocuparam a avenida Urdaneta, próxima ao Palácio de Miraflores, sede do Executivo, para defender a soberania nacional e rejeitar a interferência de Washington. Já nas áreas estratégicas, comandos de defesa integral foram ativados para enfrentar possíveis novas agressões.
Entenda
Na madrugada deste sábado (3), os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar contra a Venezuela, atingindo alvos civis e militares em Caracas e em outras regiões do país. Segundo o governo venezuelano, a ação resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, que teriam sido levados para fora do país. A vice-presidenta Delcy Rodríguez afirmou que o paradeiro do casal segue desconhecido e exigiu uma prova de vida. O governo decretou estado de comoção externa e convocou mobilizações em defesa da soberania nacional.
Durante coletiva de imprensa na tarde deste sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a Casa Branca quer administrar a Venezuela até que seja realizada uma “transição democrática e justa”. Ele celebrou o sequestro de Nicolás Maduro como um “ataque extraordinário” e indicou que o presidente venezuelano e a primeira-dama estão sendo levados para julgamento nos EUA. Trump também deixou claro o interesse direto no controle do petróleo venezuelano, afirmando que o recurso foi “roubado” dos Estados Unidos e que será entregue a uma empresa estadunidense.
Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, Valério Arcary alerta para risco de protetorado e impactos diretos da ofensiva dos

Em entrevista concedida neste sábado (3) durante edição especial do programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o historiador Valério Arcary afirmou que o bombardeio dos Estados Unidos contra a Venezuela representa uma ruptura profunda no equilíbrio político da região e um ponto de inflexão para toda a América do Sul. Para ele, a escalada “muda tudo na América do Sul de hoje para amanhã”, subvertendo completamente a ordem regional.
“Sejamos lúcidos: tudo está subvertido”, alertou, ao classificar como “uma derrota histórica dramática para toda a América Latina” a possível transformação da Venezuela em um protetorado estadunidense.
O historiador também advertiu para as consequências regionais de uma eventual ocupação direta. “É dramático imaginar que o primeiro país independente possa se transformar num protetorado, num Estado dominado diretamente por Washington, como tentaram fazer no Afeganistão e no Iraque, e fracassaram”, afirmou.
Arcary analisou que esse episódio não afeta apenas a Venezuela, isoladamente, mas tem consequências diretas para os países vizinhos, especialmente o Brasil. Ele destacou que, apesar de ser o maior país da região em território, população e capacidade produtiva, o Brasil permanece estruturalmente dependente.
“O Brasil é o maior da região, pela dimensão territorial, pela população de mais de 205 milhões de habitantes, pela capacidade de produção de riqueza e pela autoridade que exerce diante das nações vizinhas. E, no entanto, é um país dependente”, afirmou.
Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou os ataques dos Estados Unidos contra a Venezuela. Em declaração oficial, Lula afirmou que os bombardeios “ultrapassam uma linha inaceitável” e representam uma “afronta gravíssima à soberania” do país vizinho.
“Esses atos representam um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, declarou o presidente. Lula também afirmou que o uso da força, em violação ao direito internacional, é o caminho para “um mundo de violência, caos e instabilidade”.
Por fim, Arcary avaliou que, neste momento, as forças progressistas no Brasil devem deixar de lado os debates sobre os erros e acertos do governo Maduro e concentrar sua energia na defesa da soberania dos países da América Latina.
“O que está em causa não é o julgamento que cada um de nós faz sobre os acertos e erros do governo Maduro. O que está em causa é o destino da nossa região, o nosso destino”, declarou. Ele alertou para o risco de a América Latina aceitar passivamente a consolidação de um enclave estadunidense no continente. “A questão é saber se vamos conviver com um enclave dos Estados Unidos na nossa região. É isso que está em jogo”, concluiu.
O que aconteceu?
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela na madrugada deste sábado (3). O país vizinho ao Brasil emitiu um comunicado oficial rejeitando “a grave agressão militar perpetrada” pelos EUA “contra o território e a população venezuelana”. Os ataques, que começaram a ser registrados às 2h50, afetaram “localidades civis e militares da cidade de Caracas, capital da República, e dos estados de Miranda, Aragua e La Guaira”.
A vice-presidenta da Venezuela, Delcy Rodríguez, também afirmou que o paradeiro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores é desconhecido. “Exigimos uma prova de vida imediata do presidente Nicolás Maduro e da primeira combatente Cilia Flores”, disse Rodríguez, em um áudio exibido pela TV estatal.
Mais cedo, o presidente estadunidense Donald Trump informou a captura de Maduro em uma rede social. “Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque de grande escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, capturado, juntamente com sua esposa, e retirado do país por via aérea”, escreveu.
Em outro momento, Trump publicou nas redes sociais uma suposta foto do presidente venezuelano preso, com os olhos vendados e usando abafador. Não há confirmação da veracidade da imagem.
O governo venezuelano afirmou, em nota, que “tal agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais, especificamente na América Latina e no Caribe, e coloca em sério risco a vida de milhões de pessoas”. De acordo com as autoridades, a ofensiva teria como objetivo a apropriação de recursos estratégicos do país.
“O objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, especialmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação”, diz o texto.
Arbex: ofensiva de Trump na Venezuela é “ato de desespero” e revela fraqueza do imperialismo
Jornalista analisa o sequestro de Nicolás Maduro, a crise do soft power dos EUA e alerta para riscos à soberania brasileira

247 – A ofensiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra a Venezuela — incluindo o sequestro de Nicolás Maduro, sua esposa e um filho, segundo relatos discutidos no programa — não representa força, mas sim fraqueza do imperialismo em declínio. Essa é a avaliação do jornalista José Arbex Jr., em entrevista ao programa Forças do Brasil, exibido no YouTube. Para Arbex, o episódio deve ser compreendido como parte de um movimento mais amplo de retração estratégica de Washington diante do avanço de um mundo multipolar e das derrotas recentes dos EUA em diferentes frentes globais.
Logo no início da conversa, Arbex contesta leituras alarmistas e sustenta que o ataque se insere num padrão histórico de decadência: “O imperialismo tá fraco, ele tá desesperado. Isso é ação de desespero”. Na avaliação do jornalista, o que ocorre na Venezuela não é um acontecimento extraordinário, mas o desdobramento de uma crise estrutural do poder norte-americano.
“Eles só estão levando ferro em tudo quanto é lugar”
Arbex argumenta que, ao contrário do discurso dominante na mídia corporativa, os Estados Unidos vivem uma fase de derrotas acumuladas, tanto no plano militar quanto no plano político. Ele cita a guerra na Ucrânia como exemplo de fracasso estratégico: “O imperialismo acaba de sofrer uma derrota histórica na Ucrânia, absolutamente histórica. Toda OTAN junto”. A Europa, segundo ele, estaria “prostrada no chão” após esse processo.
O jornalista também aponta que a ofensiva ocidental na Ásia Ocidental — termo que ele prefere ao rótulo “Oriente Médio” — tampouco teria atingido seus objetivos. Ele menciona a destruição em Gaza como parte de uma estratégia brutal que não produziu estabilidade nem ganhos reais: “Os caras destruíram Gaza… não conseguiram nenhum dos objetivos”, diz, acrescentando que Israel teria sido profundamente atingido pela resistência regional.
Na África, Arbex afirma que a retirada francesa e o fechamento de bases americanas indicariam que o imperialismo já não expande poder, mas recua. “Os caras estão numa posição de retração. Eles não tão numa posição de expansão”, resume.
Doutrina Monroe 2.0 e o retorno do “quintal”
A leitura central de Arbex é que os EUA estão abandonando a pretensão globalista do pós-guerra e retornando a uma lógica de controle direto do hemisfério ocidental. Ele retoma a Doutrina Monroe (1823), que estabeleceu a ideia de “América para os americanos”, e afirma que Trump busca reinstalar esse paradigma como resposta ao avanço chinês e ao enfraquecimento norte-americano.
Segundo Arbex, após o fim da União Soviética, os EUA viveram a ilusão de hegemonia total, mas esse ciclo teria se encerrado com a emergência de novas potências: “Acabou isso daí… com a estratégia do Xi Jinping, da Nova Rota da Seda, formação dos Brics e o surgimento da China”.
O resultado, diz ele, é um retorno agressivo ao controle do continente: “Esse pedaço é nosso e ninguém tasca aqui… Esse é o nosso quintal”. Para Arbex, a ofensiva contra a Venezuela seria um teste e um recado para o restante da América Latina.
Hard power sem soft power: “uma derrota monumental”
Um dos pontos centrais do diagnóstico de Arbex é a perda de legitimidade ideológica e cultural dos Estados Unidos. Ele diferencia o poder bruto (hard power) do poder de persuasão (soft power) e afirma que Washington já não consegue convencer populações nem construir consenso como fazia no passado.
“O poder de um império se baseia muito mais no soft power do que no hard power”, explica, lembrando que, durante décadas, os EUA dominaram essa esfera por meio de Hollywood e propaganda política. Porém, na avaliação dele, isso se esgotou: “O soft power acabou. Os Estados Unidos hoje não tem um discurso persuasivo”.
Assim, a política externa norte-americana estaria reduzida à força bruta, o que, segundo Arbex, é sinal inequívoco de decadência: “Isso é uma derrota monumental com o imperialismo… uma perda de legitimidade”.
Por que a Venezuela virou alvo
Arbex lista razões estratégicas para o foco sobre a Venezuela e sustenta que não se trata de um ato isolado, mas de uma peça central no novo tabuleiro do poder global.
A primeira razão seria óbvia: “A Venezuela é a maior reserva de petróleo do planeta”. Em um cenário em que o comércio de energia começa a escapar do controle do petrodólar, garantir o domínio sobre reservas gigantescas torna-se um trunfo decisivo.
A segunda razão seria Cuba. Arbex afirma que há um cálculo explícito no Departamento de Estado: se um novo governo venezuelano cortar apoio à ilha, Havana pode entrar em colapso. Nesse contexto, ele direciona ataques verbais ao senador Marco Rubio, a quem atribui obsessão política por destruir o regime cubano. Arbex diz que Rubio age por ódio, mas também por cálculo eleitoral.
Há ainda razões simbólicas. Para ele, derrotar a Venezuela significaria esmagar um dos maiores marcos da reorganização da esquerda latino-americana após 1959: “A revolução bolivariana… foi o grande momento de rearticulação das forças de esquerda em toda a América Latina”.
Por fim, Arbex destaca a riqueza mineral e geopolítica do país: reservas de terras raras, ouro e presença na Amazônia. Em suas palavras, trata-se de um território que concentra recursos estratégicos que interessam diretamente aos EUA.
O sequestro de Maduro e a incerteza sobre o desfecho
Ao comentar a informação de que Maduro teria sido sequestrado e levado em um barco, Arbex adota cautela. Para ele, é cedo demais para afirmar se houve traição militar, resistência ou negociação interna, porque o processo ainda está no começo: “Ninguém sabe… nós estamos no começo do começo desse processo”.
Ele cita figuras-chave como Diosdado Cabello e Delcy Rodríguez e afirma que qualquer interpretação definitiva pode ser precipitada. Mesmo a declaração da vice-presidente reafirmando Maduro como presidente pode ser, segundo ele, resistência real ou “para inglês ver”.
Arbex sugere ainda a possibilidade de uma negociação internacional envolvendo EUA, Rússia e China — hipótese que ele mesmo apresenta com reservas. Ele afirma: “Eu não ponho minha mão no fogo”.
Epstein, crise interna e contestação nos EUA
Para Arbex, a ofensiva de Trump também precisa ser entendida à luz da crise interna dos Estados Unidos. O jornalista afirma que o governo enfrenta turbulência, inclusive dentro do próprio campo trumpista. Ele menciona denúncias envolvendo o caso Epstein e afirma que surgiram “novos vídeos… com meninas de 13 anos de idade”, além de críticas públicas de figuras ligadas ao movimento MAGA.
Arbex sustenta que há contestação no Congresso: “Já houve manifestações… dizendo que esse ataque é totalmente ilegal, fere a Constituição”. Isso, para ele, confirma que Trump não age em um ambiente de consenso, mas em meio a instabilidade.
O jornalista também reforça a dimensão social da crise norte-americana, mencionando estagnação do salário mínimo, deterioração do sistema de saúde e insegurança alimentar em larga escala: “Você tem 40 milhões nos Estados Unidos hoje de pessoas que não sabem o que vão comer amanhã”.
O Brasil no centro do alvo: “advertência”
Ao ser provocado sobre as implicações para o Brasil, Arbex diz que o país ocupa posição estratégica singular no hemisfério: território, biodiversidade, reservas de petróleo, terras raras e água. Por isso, na lógica da Doutrina Monroe 2.0, o Brasil seria alvo inevitável: “O Brasil tem tudo aquilo que o imperialismo deseja. Ele é um objeto de desejo do imperialismo”.
Para ele, o que ocorre na Venezuela deve ser entendido como alerta direto à soberania brasileira: “Aquilo que tá acontecendo na Venezuela é uma advertência pro Brasil”.
Arbex elogia a nota do presidente Lula criticando a captura de Maduro e avalia que o presidente tem um diferencial decisivo: sua capacidade de articulação política internacional, isto é, seu “soft power”. “O Lula é o próprio soft power”, afirma, defendendo que Lula use sua liderança para ampliar alianças regionais e globais.
Críticas a Lula e defesa de estratégia mais ofensiva
Apesar disso, Arbex critica decisões anteriores do governo brasileiro em relação à Venezuela, especialmente o bloqueio à entrada do país nos Brics. “Eu acho que ele errou muito… até hoje eu não entendi a posição dele”, diz, defendendo que o Brasil abandone a “letargia” diplomática na América Latina.
Ele sugere medidas como:
- fortalecimento dos Brics e maior integração com iniciativas como a Nova Rota da Seda
- articulações políticas anti-imperialistas na região
- investimento em autonomia tecnológica, satélites e infraestrutura digital própria
- ampliação de acordos estratégicos com China e Rússia
Segundo Arbex, isso não significa confronto militar, mas construção de legitimidade internacional e soberania real.
Mundo multipolar ou barbárie?
A conversa também se aprofunda sobre o significado do mundo multipolar. Arbex reconhece que há risco de um mundo dividido em zonas de domínio, em vez de uma ordem efetivamente cooperativa. Ele avalia que Trump tenta destruir a arquitetura internacional do pós-guerra — ONU, Bretton Woods, multilateralismo — para impor um sistema de força.
“Nada garante que o projeto Trump vai ser bem-sucedido… mas até isso acontecer, o mundo vai sofrer terrivelmente”, afirma. Arbex compara o declínio atual ao do Império Romano, mas alerta para um agravante: o poder destrutivo contemporâneo. “O império romano não tinha armas de destruição em massa”, diz.
Na visão do jornalista, a decadência imperial pode arrastar o mundo para um período prolongado de instabilidade e sofrimento, em que a força substitui qualquer regra.
Narcotráfico como pretexto e a denúncia sobre “hipocrisia”
Ao final, Arbex rebate acusações contra Maduro envolvendo narcotráfico e afirma que o discurso é apenas pretexto. Para ele, os EUA jamais combateram drogas de fato e utilizam o tema como justificativa para intervenções. Ele cita como exemplo o perdão de Trump ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, acusado de envolvimento com grandes remessas de cocaína.
“Isso aí tem a ver com droga é uma piada”, diz, afirmando que o narcotráfico seria parte estrutural do capitalismo global e dos circuitos financeiros internacionais.
Uma crise em aberto
A entrevista termina com Arbex insistindo na necessidade de cautela e análise histórica, sem desespero nem submissão. Para ele, a agressividade de Trump é real e perigosa, mas não deve ser confundida com força invencível. Trata-se, em sua visão, de um império ferido, que reage com brutalidade para tentar preservar o que resta de seu domínio.
“É um império em desespero… é extremamente perigoso, mas é um bicho ferido”, resume Arbex, reforçando que a América Latina — e o Brasil em especial — precisa responder com soberania, articulação e unidade, antes que a lógica da força substitua definitivamente a diplomacia.
Governo chavista permanece no poder e Trump “não manda em nada” na Venezuela, diz Pepe Escobar
Passo a passo da operação: como foi o sequestro de Maduro
Trump diz que EUA vão administrar Venezuela e controlar petróleo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3), na primeira manifestação oficial após a invasão militar na Venezuela e captura de Nicolás Maduro, que o governo norte-americano vai administrar o país latino-americano, a partir de agora, até que se possa fazer uma transição de poder. 

"Vamos administrar o país até que possamos realizar uma transição segura, adequada e criteriosa. Não queremos nos envolver em colocar outra pessoa no poder e acabar na mesma situação que tivemos por um longo período de anos", disse o norte-americano.
De acordo com Trump, os Estados Unidos "estão lá agora".
"O que as pessoas não entendem — mas passam a entender quando digo isto — é que estamos lá agora, e vamos permanecer até que a transição adequada possa ocorrer. Portanto, vamos ficar e, essencialmente, administrar o país até que uma transição correta seja possível", disse em uma coletiva de imprensa transmitida de sua residência particular no resort de Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.
Trump destacou o que classificou como uma das "demonstrações mais impressionantes, eficazes e poderosas da capacidade e da competência militar americana na história dos Estados Unidos", que teria neutralizado completamente as defesas venezuelanas. Disse também que nenhum equipamento militar estadunidense foi sequer atingido e nenhum homem morto ou ferido na operação.
"Todas as capacidades militares da Venezuela foram tornadas impotentes quando os homens e mulheres de nossas Forças Armadas, trabalhando em conjunto com as forças de segurança dos Estados Unidos, capturaram Maduro no meio da noite. Estava escuro. As luzes de Caracas estavam em grande parte apagadas devido a uma certa expertise que possuímos. Estava escuro e foi letal", afirmou.
"Mas ele foi capturado junto com sua esposa, Cilia Flores, ambos agora enfrentando a Justiça americana. Maduro e Flores foram indiciados no Distrito Sul de Nova York, sob responsabilidade de Jay Clayton, por sua campanha de narcoterrorismo mortal contra os Estados Unidos e seus cidadãos", afirmou.
Pouco antes de iniciar a declaração à imprensa, Trump publicou uma suposta foto de Nicolás Maduro em que o venezuelano aparece com os olhos cobertos por óculos escuros. A foto foi postada por Trump em sua rede Truth Social, com a descrição de que Maduro estaria a bordo do USS Iwo Jima, em referência ao navio militar norte-americano para o qual teria sido transferido.
Petróleo
O presidente dos EUA, que justificou a invasão com acusações de narcotráfico por parte do governo Maduro, embora sem provas, também deixou claro que o setor petrolífero venezuelano, que possui as maiores reservas conhecidas do planeta, passará a ser controlado por empresas norte-americanas. E ameaçou com uma segunda onda de ataques caso haja resistência do país.
"Como todos sabem, o setor de petróleo na Venezuela foi um fracasso, um fracasso total por um longo período. Eles estavam produzindo quase nada em comparação com o que poderiam estar produzindo e com o que poderia ter acontecido. Vamos levar nossas grandes empresas petrolíferas dos Estados Unidos — as maiores do mundo — para investir bilhões de dólares, consertar a infraestrutura gravemente danificada, a infraestrutura de petróleo, e começar a gerar dinheiro para o país", disse.
"E estamos prontos para lançar um segundo ataque, muito maior, se for necessário. Estávamos preparados para realizar uma segunda onda, se fosse preciso. Na verdade, presumíamos que uma segunda onda seria necessária, mas agora provavelmente não será."
Ataque dos EUA à Venezuela deixou pelo menos 100 mortos, afirma ministro
Diosdado Cabello disse que Estado venezuelano permanece unido em torno da Constituição, com apoio absoluto à presidenta interina Delcy Rodríguez
O ministro do Interior, Justiça e Paz da Venezuela, Diosdado Cabello, afirmou nesta quarta-feira (07/01) que pelo menos 100 pessoas morreram durante o ataque norte-americano à Venezuela, na madrugada de sábado (03/01).
A maioria das vítimas era de jovens, afirmou o ministro, no programa Con el Mazo Dando, acrescentando que dispõe de vídeos que mostram que a ofensiva não se restringiu a alvos militares e atingiu diretamente a população civil. E prestou homenagem aos mortos venezuelanos e cubanos.
Cabello reiterou o apoio institucional a Delcy Rodríguez, presidente interina do país desde o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Ele também relatou que ambos foram feridos durante a ação.
O ministro garantiu que o Estado venezuelano permanece unido em torno da Constituição e que o país mantém sua resistência, apontando que a ofensiva norte-americana não quebrou a coesão nacional. “Estamos apoiando de maneira absoluta Delcy Rodríguez, presidenta encarregada, diante do sequestro do nosso presidente Nicolás Maduro”, declarou Cabello.
Prisioneiro de guerra
Cabello disse o país trava “uma batalha pelo retorno do presidente constitucional e da primeira combatente, Cilia Flores”. “O mundo inteiro hoje sabe que Nicolás Maduro é um prisioneiro de guerra e os Estados Unidos violaram todas as normas de convivência internacional”, acrescentou.
Ataque dos EUA à Venezuela deixou pelo menos 100 mortos, afirma ministro
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O ministro do Interior também repudiou as acusações de “narcoterrorismo” e de falta de democracia feitas por Washington, atribuindo a agressão ao interesse nos recursos naturais venezuelanos: “o problema não é a democracia, são os recursos que a nação possui”.
Ele destacou que a própria Justiça dos Estados Unidos reconheceu que o chamado Cartel de Los Soles não existe, e reiterou: “o tema é o petróleo, recursos que são dos venezuelanos e das venezuelanas. Eles [EUA] declaram isso sem nenhum tipo de disfarce”.
“Todos os presidentes que protegeram os recursos naturais sofreram um golpe de Estado”, lembrou Cabello, ao afirmar que “a única garantia de paz na Venezuela é representada pela Revolução Bolivariana”.
O ministro também advertiu: “o que fazem hoje com a Venezuela, poderão fazer com qualquer um. Ninguém é capaz de responder”.











