A parlamentar paranaense assume o comando do colegiado em substituição à deputada DENISE PESSÔA (PT-RS). 

Deputada Carol Dartora preside a Comissão de Cultura em 2026. Foto: Gustavo Bezerra

 

Deputada petista assume o colegiado por unanimidade, homenageia antecessora Denise Pessôa e aponta como prioridades a consolidação da Política Nacional de Cultura, o financiamento do setor e a valorização dos trabalhadores da cultura.

A deputada Carol Dartora (PT-PR) foi eleita, nesta quarta-feira (4), por unanimidade, como nova presidenta da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados (CCult). A parlamentar paranaense assume o comando do colegiado em substituição à deputada Denise Pessôa (PT-RS)Em seu pronunciamento após a posse, Dartora destacou que entre suas prioridades estão a conclusão dos debates sobre a nova Política Nacional de Cultura, a busca por mais financiamento para o setor e a valorização dos profissionais da área.


Deputadas Carol Dartora e Denise Pessôa, na Comissão de Cultura. Foto: Marcelo Tavares/Divulgação

Homenagem à antecessora

Como primeiro ato à frente da Comissão de Cultura, Carol Dartora homenageou sua antecessora com a inauguração da foto de Denise Pessôa na galeria de ex-presidentes do colegiado.

“Quero registrar nosso reconhecimento ao trabalho desenvolvido pela deputada Denise Pessôa, cuja condução foi marcada pelo diálogo, pela escuta dos setores culturais e pelo compromisso de reconstrução das políticas culturais do nosso país, destruídas pelo governo anterior”, afirmou.

Prioridades da nova gestão

Na sequência, em seu discurso de posse, Dartora agradeceu a indicação da Bancada do PT para ocupar o cargo e o voto dos membros da comissão. A deputada também apresentou as prioridades do colegiado para o novo período.

“Destaco como prioritário no nosso trabalho a consolidação da Política Nacional de Cultura do nosso País. Uma política que deve ser estruturante e de longo prazo, que precisa ser construída com participação social, coordenação federativa e integração entre União, estados e municípios. A Política Nacional de Cultura é o instrumento que garante a continuidade, previsibilidade e justiça na ação do Estado para além dos governos”, ressaltou.

A parlamentar acrescentou que apoiará iniciativas para garantir o financiamento da cultura de forma “contínua, descentralizada e transparente”. Ela também afirmou que a comissão trabalhará pela valorização dos trabalhadores e trabalhadoras do setor, incluindo artistas, produtores, técnicos, mestras e mestres da cultura popular.

Despedida de Denise Pessôa

Antes de transmitir o cargo, Denise Pessôa agradeceu o apoio recebido durante sua gestão à frente da comissão, parabenizou Carol Dartora pela vitória e se comprometeu a colaborar com a nova direção.

“Quero agradecer, enquanto presidente da Comissão da Cultura, o apoio dos meus colegas deputados e deputadas que estiveram aqui comigo me auxiliando. Agradeço aos servidores, à minha equipe e a todos que nos ajudaram na Comissão de Cultura. Aprendi muito aqui e ficarei feliz em continuar definitivamente nesse time, auxiliando a deputada Carol nesse próximo período, assim como também me auxiliaram”, disse.

Balanço da gestão anterior

Em seu discurso de despedida, Denise Pessôa destacou avanços alcançados pela comissão no período em que esteve à frente do colegiado.

“Nossa gestão conseguiu driblar alguns problemas e aprovamos vários projetos importantes, defendendo a democracia e o antifascismo. Conseguimos garantir a aprovação dos recursos para a Lei Aldir Blanc (de incentivo à cultura) para todos os municípios e estados brasileiros, e começamos a debater a Política Nacional de Cultura, que vai continuar agora na nova gestão da deputada Carol”, destacou.

 

Biografia

Ana Carolina Moura Melo Dartora (Carol Dartora) é professora de História. Nasceu em Curitiba em 1º de maio de 1983. Filiada ao Partido dos trabalhadores desde 2016, é feminista, militante da Marcha Mundial das Mulheres e do Movimento Negro Unificado. Antes de entrar para a vida pública, foi secretária estadual da Mulher Trabalhadora e dos Direitos LGBTIA+ da APP-Sindicato.

É graduada em História pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), especialista em Filosofia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mestre em Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e doutoranda em Tecnologia e Sociedade pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Em 2020, Carol Dartora foi eleita a primeira vereadora negra da história de Curitiba. Em mais um feito inédito, a petista foi eleita em 2022 a primeira mulher deputada federal do Paraná.

 

Héber Carvalho

fonte: https://ptnacamara.org.br/carol-dartora-e-eleita-presidenta-da-comissao-de-cultura-da-camara/

 

Mulheres do PT celebram unidade e reforçam protagonismo feminino no partido

Mazé Morais é a nova Secretária Nacional de Mulheres. Foto: Luciana Ribeiro / Comunicação SNMPT
 

Em encontro nacional, petistas elegeram nova secretária que terá tarefa de trabalhar por ampliação das bancadas femininas e pela reeleição do presidente Lula

Com a participação de mais de 700 mulheres de todo o Brasil, o 14º Encontro Nacional de Mulheres do PT “Organizadas, resistimos. Unidas, transformamos o poder. E vivas nos queremos”, realizado em Luziânia (GO), entre os dias 30 e 31 de janeiro e 1º de fevereiro, foi marcado pela emoção do resgate da história e pelo compromisso político com o futuro, com a reeleição do presidente Lula e a ampliação de todas as bancadas femininas nas eleições de 2026.

A atividade também marcou a eleição da nova secretária nacional de Mulheres, Mazé Morais, e dos integrantes do novo Coletivo Nacional, reforçando a unidade interna e o protagonismo feminino no partido.

Passaram pelo evento o presidente do PT, Edinho Silva; a primeira-dama, Janja Lula da Silva; as ministras das Mulheres, Márcia Lopes, e da Igualdade Racial, Anielle Franco; a senadora Teresa Leitão; a deputada federal Érika Kokay (PT-DF); a presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultores Familiares (CONTAG), Vânia Marques Pinto; vereadoras; militantes e representantes de movimentos sociais de todo o país.

Um dos temas mais apontados pela plenária foi a importância do partido promover a participação feminina, de maneira que a legenda avance na criação de condições concretas para que as mulheres possam participar, decidir e acompanhar, acompanhando as múltiplas jornadas que enfrentam.

O presidente do PT, Edinho Silva, destacou o legado histórico da Secretaria Nacional de Mulheres e enfatizou que o enfrentamento ao machismo, à misoginia e a todas as formas de preconceito é uma tarefa coletiva. Ele também destacou a importância estratégica do encontro como espaço central de formulação política do PT. “Um partido que se reivindica socialista não pode reproduzir racismo, misoginia, machismo ou homofobia em suas próprias estruturas”, afirmou.

Em sua avaliação, o presidente classificou a eleição de 2026 como decisiva para a definição dos rumos do Brasil e do mundo, razão pela qual é essencial defender a reeleição do presidente Lula para reequilibrar as forças democráticas na América Latina e consolidar as políticas públicas de desenvolvimento, inclusão e justiça social.

A primeira-dama, Janja, classificou como inaceitável a notícia de que quatro mulheres são assassinadas por dia. Janja destacou, ainda, o aumento da crueldade e da frequência da violência. Segundo a primeira-dama, o ano eleitoral é uma oportunidade para transformar a indignação em ação política e defender o fortalecimento das candidaturas femininas e a eleição de mais mulheres comprometidas com a pauta de gênero.

Por fim, Janja fez uma crítica direta ao machismo estrutural dentro do PT, citando feudos masculinos, silenciamento e dificuldades enfrentadas por mulheres que estão na linha de frente da militância e da disputa política.

A ministra Anielle Franco alertou que a violência política, que vitimou Marielle Franco e outras lideranças, pode ser definida como uma violência “calculada”, feita para intimidar, silenciar, enfraquecer e expulsar mulheres — especialmente negras — dos espaços de poder.

Balanço da gestão

Encerrando sua atuação como secretária nacional de Mulheres do PT, Anne Moura fez um balanço político do legado de sua gestão entre 2017 e 2025. Ela destacou o caráter coletivo e plural do Encontro Nacional de Mulheres: “Saio desta gestão com o sentimento de dever cumprido. Mas sei que a luta segue e que nenhuma tarefa está encerrada”.

Anne também valorizou a atuação e a parceria das companheiras do Coletivo Nacional de Mulheres, bem como a força das mulheres que compõem a direção partidária, que enfrentam diariamente o machismo e a violência política de gênero.

“Sabemos que nenhuma mulher chega sozinha. As conquistas políticas das mulheres são fruto de organização coletiva e unidade, mesmo em meio às divergências internacionais”, disse.

Foram nove anos à frente dos principais segmentos organizados do maior partido de esquerda da América Latina — uma tarefa árdua e desafiadora, realizada com muito comprometimento, trabalho duro, luta organizada e afeto. A atuação da manaura teve profundo impacto na ampliação da representação das mulheres petistas nos espaços de poder e decisão.

“Elas Por Elas”: marco político da organização feminina

Anne ampliou a qualidade da política de formação de todos os candidatos do PT. Lançado em 2018, o “Elas Por Elas” deixou de ser uma ideia para se tornar um projeto político estruturado, com método, presença nacional e resultados concretos, refletidos no crescimento do número de mulheres eleitas e na ampliação da organização de base.

Completando o primeiro dia do Encontro, ainda foram realizadas as mesas “Desafios das mulheres na organização partidária”, com a participação de Tássia Rabelo, diretora da Escola Nacional de Formação Política do PT; Fernanda Curti, vereadora de Guarulhos; e Camila Moreno, secretária-adjunta de Comunicação do PT; e “A identidade das Mulheres do PT no programa de governo 2026”, com Misiara Oliveira; Ellen Coutinho, do Centro de Memória; e Plúvia Oliveira, vereadora de Mossoró (RN).

A apresentação do Tese Guia Unificada do 14º Encontro Nacional de Mulheres teve a participação das companheiras Télia Negrão, da Avante; Rose Rodrigues, da Resistência Socialista; Rosana Rodrigues, do MS; Cléa Borges, do Movimento PT; Luciene Santana, da Esquerda Popular Socialista; Suelen Aires Gonçalves, da Articulação de Esquerda; Misiara Oliveira, da Socialismo e Construção; e Vanessa Alves e Regina Brunet, da Democracia Socialista.

A experiência concreta das mulheres

Representando a corrente Construindo Novo Brasil, Mazé Morais defendeu a unidade das mulheres do PT como projeto político, observando que isso não apaga diferenças, mas nasce da escolha coletiva de colocar um projeto comum acima de interesses individuais.

Para ela, não há como contar a história do partido sem as mulheres, especialmente aquelas que sustentaram o PT nos momentos mais difíceis e que sentiram primeiro os impactos da ausência do Estado, da violência, do racismo e do patriarcado.

Ela defendeu que o feminismo do PT deve ser popular, antirracista e anticapitalista, ancorado na experiência concreta das mulheres do campo, da cidade, das periferias, das florestas e das águas, construída na luta, na organização de base e nas grandes mobilizações. Afirmou ainda que três pilares devem orientar a ação política das mulheres do PT: a unidade na diversidade, a formação política popular e o trabalho de base nos territórios, como caminhos para transformar a consciência em poder coletivo.

“Não há socialismo sem feminismo, nem democracia sem mulheres, e o futuro do PT passa necessariamente pelo protagonismo feminino”, disse Mazé.

A Márcia Lopes destacou a articulação interministerial em defesa das mulheres, com o esforço do governo Lula para envolver diferentes ministérios e políticas públicas na agenda de enfrentamento à violência contra as mulheres, cobrando ações concretas “com e pelas mulheres” em toda a Esplanada. O ministério ainda convocou as mulheres do partido a atuarem de forma decisiva nos estados e municípios, fortalecendo a implementação das políticas públicas na ponta, com unidade e responsabilidade política.

Por fim, ela reafirmou o compromisso com a reeleição do presidente Lula, destacando que a vitória depende de organização coletiva e atuação conjunta do partido, e não apenas da liderança individual do presidente.

Pesquisas com diagnósticos sobre as brasileiras e as petistas

Tássia Rabelo, secretária nacional de Formação e Educação Política do PT e diretora da Escola Nacional de Formação, destacou que a formação política do PT passa a ter, de forma estruturante e transversal, as dimensões de raça, gênero e classe. Essas perspectivas não são restritas a cursos específicos, mas integram todas as atividades da Secretaria Nacional de Formação e da Escola Nacional de Formação do PT, reafirmando o partido como uma organização comprometida com a classe trabalhadora. As diretrizes da formação política já foram aprovadas por unanimidade.

A formação política, segundo ela, precisa estar articulada à organização política. Por isso, o PT ampliará as linhas de formação, incluindo cursos para dirigentes — com atenção especial às mulheres, diante da recorrente violência política de gênero, inclusive dentro do próprio partido — e para novas filiadas, garantindo portas de entrada e fortalecimento da militância.

A cientista social e pesquisadora da Fundação Perseu Abramo, Sofia Toledo, apresentou dados da 3ª edição da pesquisa “Mulheres Brasileiras e Gênero nos Espaços Públicos e Privados”. De abrangência nacional, o levantamento foi realizado pela Fundação Perseu Abramo, em parceria com o Sesc São Paulo, e busca acompanhar recuos e avanços sociais em relação ao enfrentamento das desigualdades de gênero no país.

O papel estratégico da pesquisa e compreensão da base também foi destacado pela jornalista Ana Clara, também da Fundação Perseu Abramo: “Pela primeira vez, analisar profundamente a base feminina do PT: quem são, onde estão, há quanto tempo estão filiadas e como se sentem dentro do partido. Esse conhecimento nos permite tomar decisões estratégicas e fortalecer o protagonismo das mulheres, inclusive nas eleições de 2026”, explicou. Segundo a pesquisa, o PT conta com mais de 1,1 milhão de mulheres filiadas, mas ainda enfrenta desafios na renovação de quadros e na valorização da juventude feminina.

A relevância das mulheres na institucionalidade do partido e no cenário político nacional também foi lembrada pela senadora Teresa Leitão, primeira mulher eleita pelo PT em Pernambuco: “O PT sempre foi pioneiro na representação das mulheres, mas precisamos ainda mais nossa ampliação. Mulheres negras, jovens, idosas ou com deficiência têm muito a contribuir e devem ter visibilidade política real, não apenas simbólica”, destacou. Elau o reforço de que a eleição de 2026 será estratégico para fortalecer as candidaturas femininas e garantir uma representação nas instâncias de poder.

Legenda feminista

No encerramento do 14º Encontro, o Coletivo Nacional fez a leitura da Tese Final “Mulheres do PT com Lula na Defesa da Democracia, do Feminismo e das Mulheres Brasileiras”. O texto representa o olhar mais atualizado dos petistas sobre os valores históricos do partido e lista os principais desafios para que o PT se torne cada vez mais uma legenda feminista e defensora da proteção dos direitos das mulheres, criando um ambiente seguro para o desenvolvimento da atuação política, como o enfrentamento à violência política de gênero.

O texto defende que uma pauta das mulheres seja imposta de forma transversal a todas as instâncias do partido e que o feminismo seja reforçado como método de atuação: “Assumimos uma perspectiva feminista interseccional reconhecendo que as desigualdades de gênero se articulam com raça, classe, orientação sexual, identidade de gênero, território e deficiência, e atingem de forma diferenciada mulheres negras, indígenas, quilombolas, específicas, do campo e da cidade, mulheres LGBTs, com deficiência, jovens, idosas, mães e mulheres.”

As petistas assumiram ainda o compromisso de que o socialismo democrático seja um horizonte histórico e político na luta das mulheres do PT, afirmando um projeto de sociedade que enfrente o patriarcado, o racismo e as desigualdades de classe, por igualdade, emancipação e bem viver para todos. Para elas, a democracia é um valor essencial à vida das mulheres, garantindo participação e protagonismo, representação e compartilhamento dos espaços de poder, direitos e políticas públicas.

Eleição da nova direção e do Coletivo Nacional

Ao final, por aclamação e unidade entre todas as correntes, a companheira Mazé Morais foi eleita como a nova secretária nacional de Mulheres do PT para o período de 2026 a 2029.

Quem é Mazé Morais

Natural do Piauí, Mazé é mulher negra, agricultora familiar, sindicalista e trabalhadora rural, filiada ao PT desde os 18 anos. Ela traz para o PT o legado da Marcha das Margaridas, espaço onde se consolida como liderança e de onde segue fortalecendo a organização das mulheres do campo.

A nova secretária foi eleita de forma unânime entre todas as tendências. Mazé tem o desafio de dar continuidade à ampliação do número de mulheres — tanto candidatas quanto eleitas —, bem como garantir o apoio e a mobilização das forças femininas do campo progressista à reeleição do presidente Lula.

PT Nacional

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