Ministra participou de audiência na Câmara e sofreu ofensas de parlamentares da extrema-direita. Parlamentares prestaram apoio

 

postado em 03/07/2025 05:05 - Correio Braziliense

 Brazilian Environment Minister Marina Silva gestures as she waits before the launching of the 2025/26 Harvest Plan at Planalto Palace in Brasilia on June 30, 2025. The government will offer approximately R$ 600 billion (US$ 110 billion) in credit lines for agribusiness and family farming. (Photo by Evaristo SA / AFP)
      Caption  -  (crédito:  AFP)

Brazilian Environment Minister Marina Silva gestures as she waits before the launching of the 2025/26 Harvest Plan at Planalto Palace in Brasilia on June 30, 2025. The government will offer approximately R$ 600 billion (US$ 110 billion) in credit lines for agribusiness and family farming. (Photo by Evaristo SA / AFP) Caption - (crédito: AFP)
 

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, foi alvo de novos ataques no Congresso Nacional. Diferentemente da agressão verbal sofrida no Senado, a chefe da pasta, contudo, foi defendida por parte dos parlamentares da Casa.

Os deputados debatiam sobre queimadas e desmatamentos. Marina foi chamada para prestar esclarecimentos e apontar as políticas públicas do governo federal para enfrentar o problema. Durante a inquirição, o deputado Evair de Melo (PP-ES), da bancada ruralista e autor do requerimento de convocação, chegou a compará-la com grupos armados, como as Farc da Colômbia e o Hamas, na Faixa de Gaza.

Marina rebateu e citou trechos bíblicos. "Hoje de manhã, eu fiz uma longa oração e pedi a Deus para me dar calma. Acho que Deus me ouviu, porque eu estou em paz", disse. "É preferível sofrer injustiça do que praticar uma injustiça. E eu prefiro sofrer injustiças do que praticá-las, porque quando você é injustiçado, a justiça virá", completou.

A chefe da pasta também citou os desafios do ministério durante sua gestão. "Qualquer pessoa que não seja negacionista sabe que a seca com baixa precipitação, temperatura alta, perda de umidade, potencializa os incêndios, potencializa em todos os níveis", disse.

Após os insultos no colegiado, a ministra do Meio Ambiente participou de uma coletiva de imprensa na Câmara. Ela disse que o comportamento não é novo e que "o desrespeito às vezes é a única coisa que as pessoas que não conhecem o respeito são capazes de oferecer", observou. "Todos nós que não defendemos a agenda autoritária, negacionista, que não reconhece a mudança do clima, somos desrespeitados", afirmou.

Essa não é a primeira situação em que Marina é atacada verbalmente por parlamentares da oposição. Em maio, ela abandonou uma audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado após o senador Plínio Valério (PSDB-AM) dizer que ela "não merecia respeito" como ministra. Depois de exigir um pedido de desculpas, que não foi atendido, a ministra decidiu se retirar do debate.

Defesa da ministra

O deputado federal Túlio Gadelha (Rede-PE) disse que a audiência na Comissão de Agricultura deu "privilégios" para os políticos da oposição, pois eles teriam tido a oportunidade de questionar mesmo sem estarem inscritos na lista, diferentemente de parlamentares mulheres que tiveram seus microfones cortados.

Ele citou a deputada Juliana Cardoso (PT-SP) que, durante sua fala, teve 30 segundos adicionais negados pelo presidente do colegiado. "São falas que são perceptíveis o tom de machismo, e misoginia. Por exemplo, quando um parlamentar para de fazer sua fala até que a ministra olhe para ele. Porque ele precisa ter ela olhando porque se não estivesse olhando, era como se não estivesse ouvindo", disse o Gadelha ao Correio.

A deputada Sâmia Bomfim (PSol-RJ) também prestou apoio. "Mais uma vez a ministra voltou ao Congresso e foi covardemente atacada pela horda do 'agrogolpismo', e respondeu com altivez. Nós vamos seguir a luta, enfrentando a bancada do atraso e os crimes do agronegócio, defendendo o meio ambiente, os povos originários e movimentos sociais, e pautando a necessidade de que o Brasil seja exemplo no combate ao colapso climático e na garantia de justiça socioambiental", ressaltou.

 

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) classificou o episódio como "vergonhoso". "Parece que a Presidência da Câmara não está atenta à necessidade de, inclusive, cobrar dos presidentes de comissões. O presidente dessa comissão (de Agricultura) não agiu bem, não coordenou devidamente os trabalhos, não cumpriu o regimento. Esse desrespeito tem que acabar aqui dentro. Eles contaminam o debate político e técnico porque não estudam as matérias e não se preparam para um debate democrático e vêm exclusivamente para o ataque pessoal e o desrespeito", declarou.

Mais ataques

Enquanto respondia aos questionamentos dos deputados Zé Trovão (PL-SC) e Capitão Alberto Neto (PL-AM), Marina Silva foi interrompida diversas vezes ao falar sobre os avanços na redução do desmatamento na Amazônia. Ela acusou os parlamentares de machismo. "Quando um homem ergue a voz, ele está sendo incisivo. Quando uma mulher fala com firmeza, dizem que é show", rebateu a ministra.

Marina divergiu das afirmações dos parlamentares de que houve um aumento explosivo no desmatamento durante a gestão dela no Ministério do Meio Ambiente e destacou o papel das mudanças climáticas no aumento de incêndios florestais no país. Quanto ao combate às queimadas, afirmou que o Fundo Amazônia já destinou recursos para os estados fortalecerem os corpos de bombeiros, e que do montante foram cerca de R$ 825 milhões para o Ibama, além do aumento de mais de 4 mil brigadistas.

O Capitão Alberto Neto acusou o secretário-executivo do ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, de envolvimento com interesses privados em concessões ambientais. Apesar de o parlamentar ter dito que não atacaria Marina pessoalmente, ele se referiu à ela como "uma vergonha" e criticou sua atuação com declarações como "a senhora não tem nada a falar de verdades".

 

Após a reunião, Rodolfo Nogueira (PL-MS) afirmou por meio de vídeo disponibilizado pela assessoria, que ficou "insatisfeito" com os esclarecimentos da ministra que "direcionou a culpa dos focos dos incêndios em São Pedro e no clima". "Ela deixa a comissão devendo respostas e sem esclarecimentos sobre a perseguição em cima dos produtores rurais, que resultou no aumento do preço dos alimentos", disse.

 

fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/politica/2025/07/7190318-alvo-de-ataques-no-congresso-marina-nao-abaixa-a-cabeca.html

 

Após nova sessão com ataques de parlamentares, Marina Silva diz que desrespeito 'é a única coisa que são capazes de oferecer'

Convocada pela comissão de Agricultura, a ministra foi chamada de 'adestrada' e 'mal-educada' por deputado. Em maio, Marina abandonou audiência no Senado após ataques.

Por g1 — Brasília

 G1

Após nova reunião no Congresso em que foi alvo de críticas e ataques de parlamentares nesta quarta-feira (2), a ministra do Meio Ambiente Marina Silva disse que o comportamento não é novo e que "o desrespeito às vezes é a única coisa que as pessoas que não conhecem o respeito são capazes de oferecer."

"Todos nós que não defendemos a agenda autoritária, negacionista, que não reconhece a mudança do clima, somos desrespeitados", disse a minista em entrevista coletiva após a audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados.

Durante a sessão, o deputado Evair Vieira Melo (PP-ES) chamou Marina de "adestrada" e "mal-educada" e afirmou que a ministra “nunca trabalhou, nunca produziu” e que tem “um discurso alinhado com ONGs internacionais" (veja vídeo abaixo).

Deputado diz que Marina tem problema com o agronegócio porque 'nunca trabalhou'

"A senhora tem dificuldades com o agronegócio, porque a senhora nunca trabalhou, a senhora nunca produziu, não sabe o que é prosperidade construída pelo trabalho. Todo mundo sabe, o mundo sabe que a senhora tem um discurso alinhado com essas ONGs internacionais", afirmou o parlamentar.

Outros deputados atacaram a gestão da ministra. O deputado Zé Trovão (PL-SC) afirmou que Marina é uma "vergonha como ministra", enquanto o capitão Alberto Neto (PL-AM) sugeriu que ela deveria "pedir demissão".

Convocada para prestar esclarecimentos sobre desmatamentos e queimadas, a ministra disse durante a sessão que aprendeu que é "melhor receber injustiça" do que "praticar injustiça". Ela também afirmou que fez uma longa oração antes da audiência e que está “em paz”.

Marina divergiu das afirmações dos parlamentares de que houve um aumento explosivo no desmatamento durante a gestão dela no Ministério do Meio Ambiente e destacou o papel das mudanças climáticas no aumento de incêndios florestais no país.

Ministra participou de audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados. — Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

 

"[...] Qualquer pessoa que não seja negacionista sabe que a seca com baixa precipitação, temperatura alta, perda de umidade, potencializa os incêndios, potencializa em todos os níveis", disse a ministra.

Abandono em maio

Na ocasião, o senador Plínio Valério (PSDB-AM), ao cumprimentar Marina, afirmou que desejava "separar a mulher da ministra", porque a mulher "merecia respeito" e a ministra, não.

A ministra reagiu imediatamente, cobrando um pedido de desculpas. "Como eu fui convidada como ministra, ou ele me pede desculpas ou eu vou me retirar. Se, como ministra, ele não me respeita, vou me retirar", disse Marina. Diante da recusa do parlamentar em se retratar, ela deixou a sessão.

Antes deste momento, o presidente da comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO), ironizou reclamações da ministra sobre ter seu microfone cortado várias vezes. A ministra respondeu dizendo que ele gostaria que ela "fosse uma mulher submissa". "E eu não sou", completou Marina.

Sentado ao lado da ministra, Marcos Rogério olhou para ela e disse: "Me respeite, ministra, se ponha no teu lugar". A declaração provocou novo tumulto e ele tentou se explicar. Disse que, na verdade, referia-se ao "lugar" de Marina como ministra de Estado.

 

Marina Silva é atacada em comissão presidida por Gordinho do Bolsonaro

Ministra enfrentou ofensas pessoais e comparações ofensivas feitas por parlamentares

ALISON SILVA

02/07/2025 - 17h30

Correio do Estado - Campo Grande MS

Rodolfo Nogueira (PL) comanda a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados

Rodolfo Nogueira (PL) comanda a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados - Foto: Claudio Reis/Câmara dos Deputados

 


A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi alvo de novos ataques nesta quarta-feira (2) durante uma audiência na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado sul-mato-grossense Rodolfo Nogueira (PL) "Gordinho do Bolsonaro".

Convocada para prestar esclarecimentos sobre temas como queimadas, desmatamento e a realização da COP-30 em Belém, Marina enfrentou ofensas pessoais e comparações ofensivas feitas por parlamentares da oposição, especialmente pelo deputado Evair Vieira de Melo (PP-ES).

Durante a sessão, Evair voltou a usar a expressão "adestrada" para se referir à ministra, alegando que sua atuação política seguiria a mesma lógica de grupos como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), o Hamas e o Hezbollah.

“Esse modus operandi da ministra não é algo isolado. A estratégia dela é a mesma que as Farcs colombianas usam, que o Hamas, Hezbollah usam”, afirmou o parlamentar, que já havia feito afirmação semelhante em outubro de 2024, quando também presidia a comissão.

Visivelmente abalada, Marina reagiu: “Fui terrivelmente agredida. O que aconteceu aqui foi num nível piorado do que no Senado”, referindo-se ao episódio de maio, quando abandonou uma audiência pública após confrontos com senadores oposicionistas.

Durante a audiência na Câmara, Marina respondeu às críticas, reafirmando a importância do Acampamento Terra Livre, defendendo os servidores do Ibama e esclarecendo que as obras viárias previstas para a COP-30 são de responsabilidade do governo do Pará. Ao ser interrompida por gritos do deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que lhe pediu "calma", Marina reagiu: “Olha, isso não é uma forma de se dirigir a uma mulher.”

A ministra ainda pontuou que o tom adotado por parte dos deputados carrega preconceito e machismo. “Quando vocês levantam a voz, dizem que estão sendo incisivos, contundentes. Quando uma mulher fala com firmeza...”, disse, sendo novamente interrompida.

A condução da sessão foi marcada por tensão, trocas de ofensas e acusações. O presidente da comissão, Rodolfo Nogueira, ironizou a ministra ao dizer que ela se comporta como “paladina da sustentabilidade”, enquanto aliados do governo denunciaram a falta de respeito à autoridade da ministra.

Marina encerrou sua participação dizendo estar tranquila e em paz após fazer uma oração antes da sessão. “Em termos de defesa do meio ambiente, que Deus julgue entre eu e vossa excelência e dê seu veredito”, declarou, dirigindo-se a Evair de Melo.

A postura da oposição gerou reações nas redes sociais e entre parlamentares da base governista, que acusam os deputados de promoverem ataques misóginos e racistas contra uma das principais lideranças ambientais do país.

*Com Estadão Conteúdo

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