Por: Luana de Oliveira | 09 Julho 2026

periferia é a casa dos exilados por aqueles que recebem os privilégios do Estado somente para si. É nesse aglomerado de gentes que se instauraram ao longo dos séculos as organizações criminosas que se multiplicam e até hoje são mantidas pelo próprio abandono de um sistema que mais encarcera do que inclui.

Não à toa, as facções se formaram dentro do próprio cárcere, num primeiro momento, como prática de proteção, organização e sobrevivência e, num segundo momento, atravessaram as fronteiras das celas para dominar as comunidades, sendo incorporada por milicianos, com apoio da própria farda policial, mediante a aliança de soldados do Estado com o crime em troca de dinheiro e proteção.

É quando os governos cobram “justiça” contra o tráfico que as comunidades pagam o preço pelas próprias mãos de ferro de um sistema capitalista neoliberal. A criminalização da periferia impõe em seu território práticas de controle policial violentas, com ações racistas e truculentas.

Em outubro de 2025, o Rio de Janeiro presenciou uma das maiores chacinas a céu aberto, uma matança que superou o Massacre do Carandiru, sendo considerada a maior chacina policial no Brasil. A letalidade da Operação Contenção com a justificativa de combater o avanço do Comando Vermelho, matou 121 pessoas nos complexos do Alemão e da Penha, enfileirando corpos em meio à cidade, em um cenário visível de abandono. A maioria dos mortos naquele dia eram jovens negros, com seu futuro negado muito antes de serem acertados pela bala que atravessou seus corpos.

Recentemente, a violência prática do fascismo atravessou a fronteira do próprio país e cruzou as paredes da Casa Branca. No início de junho, Donald Trump, oficializou o enquadramento das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas, dando continuidade à suas estratégias de interferência nas políticas de outros países (inclusive nas eleições), com o propósito de instaurar seu domínio fascista sobre eles.

De acordo com o historiador Luiz Eduardo Soares, o “ódio às instituições, fruto das humilhações cotidianas e da brutalidade que o Estado dispensa às comunidades, sobretudo aos negros e às negras, estimula a adesão ao tráfico como resposta ao habitual 'esculacho'. Esse caminho é pavimentado sobretudo pela redução de alternativas e a atratividade exercida pela promessa de pertencimento, reconhecimento e valorização individual”. 

O pesquisador afirma que em meio às delegacias de polícia há “uma agência que traz consigo o peso devastador de uma história brutal, de viés racista e de classe, história que se define a partir do polo essencialmente autoritário de nosso capitalismo”. 

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Organizações criminosas na urbanização periférica no Brasil

Hoje, 09-07-2026, o geógrafo Thiago Canettieri  amplia a discussão sobre o tema no evento Organizações criminosas na urbanização periférica no Brasil promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU. A videoconferência será transmitida ao vivo, às 17h30min.

No artigo "Organizações criminosas na urbanização periférica:  hipóteses a partir de três metrópoles brasileiras", de Canettieri e Priscila Coli, há a informação que "a dinâmica que constitui os grupos criminais, mesmo considerando suas heterogeneidades, passa pela constituição de mercados ilícitos e mercados de proteção. Trata-se, portanto, da constituição de uma economia que permite circular e, sobretudo, se apropriar de recursos monetários e não monetários, fazendo espraiar as redes de poder, controle e coerção que emanam desses grupos em suas disputas internas e com outras facções".

Os pesquisadores sugerem que "a produção do espaço faz parte das atividades dos grupos criminosos e eles desempenham um papel importante na regulação e funcionamento dos mercados imobiliários informais".

Canettieri trará um aparato dessa pesquisa trazendo os principais pontos de dominação das organizações criminosas em meio às comunidades periféricas, vinculando com as próprias vulnerabilidades sociais que sequestram direitos e acentuam a pobreza que intensifica a moradia informal em comunidades dominadas pelo tráfico.

Serviço

O quê: "Organizações criminosas na urbanização periférica no Brasil"

Quando: 09-07-2026, às 17h30min

Quem: Thiago Canettieri é professor do departamento de urbanismo da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Realizou residência pós-doutoral vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Geografia da UFMG (2019-2020), é doutor em Geografia pela UFMG (2019), mestre em Geografia - Tratamento da Informação Espacial pela PUC-Minas (2014) e possui graduação em Bacharelado e Licenciatura em Geografia pela PUC Minas (2012)

Onde assistir: www.ihu.unisinos | YouTube do IHU | Facebook do IHU

Inscrição: https://www.ihu.unisinos.br/evento/ihu-ideias

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fonte: https://ihu.unisinos.br/668188-organizacoes-criminosas-e-sua-influencia-nas-periferias-do-brasil