Feminicidio – arem de nos matar – Credito Mauro Utida – Mídia NINJA

Foto: Mauro Utida/ Mídia Ninja

6 de maio, 2026 Folha de S. Paulo Por Raquel Lopes

  • Foram 399 vítimas entre janeiro e março de 2026, ante 371 no mesmo intervalo do ano passado
  • Governo federal tem tentado ampliar esforços para conter esse tipo de crime e lançou neste ano um pacto nacional

O Brasil registrou alta de 7,5% no número de vítimas de feminicídios no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Foram 399 vítimas entre janeiro e março de 2026, ante 371 no mesmo intervalo do ano passado.

É o maior número para um primeiro trimestre em toda a série histórica dos últimos 11 anos, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Os números representam uma média de quatro mulheres assassinadas por dia em contextos de violência doméstica, familiar ou envolvendo desprezo ou discriminação à condição feminina.

A maior quantidade absoluta de vítimas de feminicídios por estado foi registrada em São Paulo, com 86 vítimas, o que representou um recorde local. Nas cidades paulistas, o aumento foi de 41% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Um dos casos foi o da soldado Gisele Alves Santana, 32, morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento em que vivia com o marido, no Brás, região central da capital paulista. Geraldo Leite Rosa Neto, coronel da PM, foi preso e aguarda julgamento. Ele diz ser inocente e afirma que a mulher cometeu suicídio, tese que é contestada por laudos periciais e outros elementos reunidos pela investigação.

Parte da alta nos indicadores de feminicídio é atribuída por especialistas e membros dos governos a uma melhor qualidade da notificação. Ou seja, mortes antes registradas como homicídios comuns passaram a ser computadas como crimes de gênero, fazendo o dado crescer.

Além disso, pesquisadores destacam o peso do machismo, persistente na sociedade, na motivação dos crimes. Na maioria das ocorrências, conforme dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o agressor tinha relação direta com a vítima: 59,4% das mulheres foram mortas pelo parceiro íntimo e 21,3% pelo ex-parceiro.

A Lei do Feminicídio alterou o Código Penal e passou a tipificar esse crime no Brasil em 9 de março de 2015. A legislação abrange assassinatos de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia. Ou seja, o primeiro ano com dados completos é 2016.

Em 2024, o crime cometido contra mulheres por razões de gênero deixou de ser uma qualificadora do homicídio e passou a ser tipificado como um crime autônomo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão.

Quando há agravantes, a pena pode chegar a 60 anos, tornando o feminicídio o crime com a maior punição prevista atualmente no Brasil.

A mudança fez parte do chamado pacote antifeminicídio, que aumentou as penas para crimes cometidos em contexto de violência contra a mulher motivado por questões de gênero, promovendo mudanças na Lei Maria da Penha, no Código de Processo Penal e na Lei de Execução Penal.

O governo federal tem ampliado esforços para tentar conter esse tipo de crime e lançou neste ano o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa que busca fortalecer a rede de proteção às vítimas e aprimorar a resposta do Estado à violência de gênero.

No Ministério da Justiça, foram desenvolvidas diversas iniciativas em relação ao tema. A pasta irá lançar um projeto-piloto em três estados que conecta a tornozeleira eletrônica de agressores de mulheres a um relógio digital utilizado pela vítima.

Também inaugurou o Centro Integrado Mulher Segura, uma estrutura nacional destinada a integrar e acompanhar a rede de atendimento às mulheres vítimas de violência no país.

Dados dessa estrutura mostram que 30% das mulheres vítimas de feminicídio no país em 2025 já tinham registrado denúncia contra a pessoa que viria a ser o autor do assassinato.

Das 481 (30,8% do total) mulheres que registraram boletim de ocorrência contra o autor, 20% foram mortas em até 24 meses após o primeiro registro. Os dados não mostram quantas tiveram medidas protetivas solicitadas e disponibilizadas.

Em uma das situações analisadas, uma mulher de 32 anos, parda, foi vítima de feminicídio em abril, após um histórico prolongado de violência. Ao longo de quase seis anos, ela registrou 19 boletins de ocorrência, que resultaram em 15 registros formais de violência doméstica.

Acesse a matéria no site de origem.

FONTE: https://agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/feminicidio/brasil-bate-novo-recorde-de-feminicidios-no-primeiro-trimestre-com-media-de-quatro-vitimas-por-dia/

 

Por Bianca Muniz, g1 — São Paulo

Medo de violência política atinge 6 a cada 10 brasileiros, aponta estudo

O levantamento “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança” divulgado no domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que 59,6% dos brasileiros com 16 anos ou mais afirmam ter medo de sofrer agressão física em razão de suas escolhas políticas ou partidárias. Isso representa 6 a cada 10 brasileiros, ou aproximadamente 99,4 milhões de pessoas.

Segundo o estudo, 2,2% da população, o equivalente a cerca de 3,6 milhões de pessoas, relatou ter sido vítima desse tipo de violência no último ano.

Apesar de elevado, o índice representa queda em relação a 2022, quando 68% dos entrevistados declaravam esse receio.

O relatório atribui o patamar anterior ao ambiente de forte polarização durante a campanha eleitoral daquele ano. Os dados atuais indicam redução da percepção de risco, embora o sentimento de insegurança permaneça disseminado.

A pesquisa aponta diferenças conforme o perfil dos entrevistados:

  • Entre as mulheres, 65,5% afirmam temer agressões motivadas por posições políticas, enquanto entre os homens o índice é de 53,1%.
  • Já a vitimização efetiva é maior entre o público masculino: 2,9% relataram ter sofrido agressões, ante 1,5% das mulheres.

O recorte econômico também evidencia desigualdade. Nas classes D e E, 64,2% dos entrevistados manifestam medo de violência política, percentual superior ao registrado entre as classes A e B, de 54,9%.

A ocorrência de agressões também é mais elevada entre os grupos de menor renda: 3,5% disseram ter sido vítimas, contra 2,2% entre os mais ricos.

SAIBA MAIS

O relatório destaca ainda a influência do crime organizado sobre a expressão política em determinadas regiões. A presença de facções criminosas ou milícias nos bairros foi reconhecida por 41,2% dos brasileiros entrevistados.

  • 59,5% dos moradores evitam falar sobre política por receio de represálias desses grupos;
  • 61,4% dos residentes afirmam que o crime organizado exerce influência moderada ou forte sobre as decisões e regras de convivência do bairro;
  • A vitimização por agressão política nessas áreas (3,3%) é superior à média nacional (2,2%).

🔎 A pesquisa "Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança" foi realizada pelo Instituto Datafolha, encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, entre os dias 9 e 10 de março de 2026. A margem de erro geral para o total da amostra é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. O estudo teve abrangência nacional e contou com uma amostra total de 2.004 entrevistas realizadas em 137 municípios.

 

Com medo da violência, 41% das mulheres dizem que deixaram de sair à noite, segundo Datafolha

Girl walking in an urban Street at night under streetlights

Foto: Freepik

11 de maio, 2026 Folha de S. Paulo Por André Fleury Moraes

  • Elas também citam ter evitado levar o celular por medo de assalto, mostra levantamento

  • Pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros em março deste ano

O medo da violência atinge muito mais as mulheres do que os homens e levou 40,9% delas a deixar de sair à noite no último ano —para eles, o percentual é de 29,8%. É o que aponta a pesquisa “Os gatilhos da insegurança”, feita pelo Datafolha e divulgada no último domingo (10).

A pesquisa foi encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O instituto entrevistou presencialmente 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios do país.

No geral, 96,2% dos entrevistados disseram ter medo de ao menos 1 das 13 situações apresentadas na pesquisa. Outros 3,8% responderam não ter medo. A margem de erro nesses casos varia entre 0,8 e 4,2 pontos percentuais.

O medo de ser vítima de um golpe ou de perder dinheiro pela internet ou celular foi citado por 83,2%. A menção ao medo de ser roubado à mão armada atingiu 82,3%.

O receio de ser morto durante um assalto acumulou 80,7%, e o de ter o celular furtado ou roubado, 78,8%.

Quando os dados são divididos por gênero, entre as mulheres atingem o maior percentual o medo de ser roubada à mão armada e o de cair em golpes digitais, ambos com 86,6%.

Também superam a faixa dos 80% entre elas as seguintes situações: o de ser morta durante um assalto (86,2%), de ter o celular roubado ou furtado (83,6%), de ser vítima de agressão sexual (82,6%), de ser vítima de bala perdida (82,3%), de ter a residência invadida ou arrombada (82,6%), de ser roubada ou assaltada na rua (83,2%).

No caso dos homens, nenhuma das situações chegou a 80%. As mais próximas foram o medo de ser vítima de golpes digitais (79,6%) e de ser roubado à mão armada (77,7%).

Os entrevistados pelo Datafolha também responderam se alteraram seu comportamento em razão do medo. O maior percentual, de 36,5%, é daqueles que disseram ter mudado de percurso. Além disso, 35,6% afirmaram que deixaram de sair à noite e 33,5% responderam que deixaram o celular em casa por medo de ser assaltado.

O medo da violência tem reflexo direto sobre o cotidiano delas.

Segundo o Datafolha, 40,9% das entrevistadas disseram que deixaram de sair à noite nos últimos 12 meses por medo da violência e 37,8% que não foram às ruas com o celular por medo de assalto. Nos dois casos, os percentuais são menores para as respostas dos homens, 29,8% e 28,9%, respectivamente.

Segundo o Fórum Brasileiro, “o mapa feminino do medo incorpora, no centro da percepção de insegurança, uma ameaça que para os homens não ocupa lugar equivalente”.

“Em termos analíticos”, acrescenta a instituição, “isso significa que a experiência feminina da insegurança é mais totalizante: ela atravessa a rua, a casa, o corpo e a rotina”.

Os números sobre o medo da violência entre as mulheres vêm ao mesmo tempo em que o registro de feminicídios aumenta no Brasil.

Dados disponibilizados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no início de maio apontam para um aumento de 7,5% no registro de crimes de feminicídio no primeiro trimestre deste ano na comparação com o mesmo período do ano passado.

Foram 399 mulheres mortas entre janeiro e março de 2026, o maior número para um primeiro trimestre nos 11 anos de série histórica. No ano passado, no mesmo período, foram 371 vítimas.

A maior quantidade absoluta de vítimas de feminicídios por estado foi registrada em São Paulo, com 86 vítimas, o que representou um recorde local. Nas demais cidades paulistas, o aumento foi de 41% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Parte dos casos ganhou repercussão nacional, a exemplo do episódio envolvendo Tainara Souza Santos, 31. Ela morreu depois de ficar 25 dias internada após ter sido atropelada e arrastada por um quilômetro por um homem apontado como ex-companheiro dela. Durante a internação, teve as duas pernas amputadas.

Foi também em São Paulo que morreu a policial militar Gisele Alves Santana, 32. O coronel da PM Geraldo Leite Rosa Neto está preso sob suspeita de ter cometido o crime.

A escalada de violência contra a mulher em território paulista levou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a anunciar no mês passado um pacote de medidas em busca de combater o problema.

As ações incluem a entrega de 69 salas DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) em plantões policiais nos próximos meses e a criação de um plano de metas decenal contra a violência doméstica.

Outra medida é a assinatura de termos de cooperação para ampliar a atuação integrada no enfrentamento à violência.

Um dos acordos viabiliza o Circuito Integrado SP Por Todas, iniciativa que levará atendimento itinerante a mulheres em situação de violência doméstica, reunindo serviços de acolhimento, orientação e encaminhamento.

Acesse a matéria no site de origem.

fonte: https://agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/com-medo-da-violencia-41-das-mulheres-dizem-que-deixaram-de-sair-a-noite-segundo-datafolha/

 

 

8 em cada dez vítimas de estupro não buscaram nenhum atendimento

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02 de março, 2026

Além do medo do agressor, de ser desacreditada e o sentimento de vergonha, outro fator que dificulta a busca de ajuda é a falta de informação sobre leis e direitos. E, caso o estupro resulte em gravidez, o cenário de desinformação é ainda pior.  

É o que mostra a segunda onda de dados da pesquisa Percepções sobre direitos de meninas e mulheres grávidas pós-estupro, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva (acesse aqui a primeira onda lançada em setembro). Menos da metade dos brasileiros (44%) não sabe que o aborto é sempre legal no caso de gravidez de menina com até 13 anos, enquanto 59% desconhecem que não é necessário boletim de ocorrência para fazer um aborto legal em um hospital público e 53% sequer conhecem serviços especializados para atender vítimas de estupro. 

Embora a lei brasileira garanta o aborto em caso de estupro, a pesquisa mostra que, na prática, a maioria das vítimas não consegue acessar esse direito. Entre os entrevistados que conhecem vítimas que engravidaram após um estupro, a maioria afirma que elas não interromperam a gestação. E entre quem conhece alguma mulher que realizou um aborto, 71% declaram que o procedimento foi feito de forma clandestina. Na população em geral, 33% – ou 55 milhões de pessoas – conhecem uma menina ou mulher que fez um aborto clandestino. Os dados do estudo evidenciam um quadro de desproteção das vítimas de estupro no país, caracterizado pelo desconhecimento dos direitos assegurados na legislação e pela manutenção de um ambiente de desinformação.

Acesse na íntegra o relatório da primeira onda da pesquisa Percepções sobre direitos de meninas e mulheres grávidas pós-estupro (Instituto Patrícia Galvão e Locomotiva, 2025)

Vítimas silenciam e raramente buscam ajuda

“Não gosto nem de lembrar, na época eu era muito nova, não tinha nem 10 anos ainda e foram anos passando por isso. Não foi apenas um parente, foram dois e agiam separadamente. Eu não entendia nada, mas sabia que era algo errado e fiquei com medo de falar para alguém. Passei anos me culpando, até perceber que eu não tive culpa nenhuma, eu era apenas UMA CRIANÇA!!!!! Apesar de tudo, hoje em dia sou obrigada a conviver com essas pessoas que fizeram o ato, simplesmente porque eu perdi a minha voz e tenho medo de ninguém acreditar em mim, afinal, quem diria que um avô e um tio fariam uma barbaridade dessas? E mais, já se passaram mais de 10 anos, por que eu falaria só agora? A verdade é que eu não quero destruir a vida de ninguém, igual fizeram comigo…”
Mulher, moradora da região Nordeste, parda e com 45 anos ou mais.

Embora 93% das mulheres e homens entrevistados defendam que o Estado forneça acompanhamento psicológico imediato após a violência sexual e que 90% acreditem que as vítimas deveriam receber informações sobre prevenção de gravidez indesejada e ISTs ao procurar delegacias ou hospitais, o estudo mostra que, entre as vítimas de estupro que sofreram violência até os 13 anos, a maioria (76%) não buscou nenhum serviço de atendimento após o crime e, entre as que foram violentadas quando tinham entre 14 anos ou mais, o mesmo padrão se repete: a maioria (78%) afirma que não procurou serviços de saúde nem delegacia.

Entre quem acredita que meninas (até 13 anos) não contam sobre o estupro sofrido, as motivações citadas incluem ameaças do agressor (58%), medo de não serem acreditadas (43%) e vergonha (33%).

“Eu sofri um abuso e engravidei por causa desse ato. Então, eu, com 13 anos, não poderia ser mãe, ia interromper minha vida, eu estava estudando. Então, eu decidi não contar para os meus pais e pedir ajuda de uma amiga próxima. Então, ela me levou a um aborto clandestino e lá eu fiz o procedimento. Graças a Deus ocorreu tudo bem e hoje sou mãe de três filhos lindos, mas não esqueci o que eu sofri quando eu tinha 13 anos.”
Mulher, moradora da região Nordeste, parda e com 45 anos ou mais. 

Direitos garantidos por lei ainda são pouco conhecidos pela população: faltam informações e sobram fake news

Apenas 43% da população reconhece todos os quatro casos em que o aborto é permitido por lei. Embora uma ampla maioria saiba que o aborto é garantido por lei em situações de risco à vida da gestante (76%), anencefalia fetal (75%) e gravidez decorrente de estupro (75%), apenas 56% sabem que também é legal em casos de gravidez de meninas com até 13 anos.

79% dos brasileiros concordam que faltam informações sobre a interrupção da gravidez prevista por lei e 54% consideram que fake news dificultam o acesso das mulheres ao aborto legal e seguro, como a falsa ideia continuamente divulgada de que é necessário boletim de ocorrência ou autorização judicial.

Mesmo diante da gravidade do tema e de suas consequências físicas e emocionais, apenas 27% dos entrevistados conhecem todos os direitos garantidos por lei às vítimas de estupro, como acesso à assistência médica imediata, profilaxia pós-exposição a ISTs, apoio psicológico e possibilidade de interrupção legal da gestação no SUS. 

Apesar do baixo conhecimento sobre tais direitos, seja para meninas ou mulheres, 8 em cada 10 brasileiros apoiam que vítimas de estupro tenham acesso ao serviço público de saúde para interromper a gravidez decorrente da violência.

Falta de informação e desconhecimento da rede de apoio

Mais de metade (53%) da população não conhece nenhum serviço de saúde que atenda vítimas de estupro. Entre as mulheres, o mesmo desconhecimento: apenas 54% afirmam ter ouvido falar em algum serviço.

Quando o conhecimento existe, ele vem principalmente de meios de comunicação (TV e internet), e não de informações institucionais.

Apesar do desconhecimento, a maioria (86%) acredita que todas as cidades deveriam contar com serviços públicos para que meninas e mulheres que engravidaram em decorrência de um estupro possam interromper a gestação.

População é sensível ao drama das vítimas de estupro e das mulheres que abortam

Para 66% dos entrevistados, quem é contra o aborto em qualquer circunstância não leva em conta o que acontecerá com a menina ou a mulher caso a gestação continue, proporção ainda maior entre as mulheres (68%).

Metade (50%) dos brasileiros considera que a discussão sobre aborto no Brasil deveria ser uma questão de saúde pública.

E, embora 24% da população acredite que o aborto deveria ser tratado no âmbito da legislação e da justiça, 3 em cada 4 brasileiros (76%) são contrários à prisão de mulheres que interrompam uma gravidez.

Comentários

“Além de comprovar que o estupro é uma realidade muito próxima das brasileiras e brasileiros, a pesquisa mostra também o desamparo das vítimas, mulheres e meninas que não buscam ou não são levadas para nenhum tipo de atendimento ou acolhimento após a violência sexual. Entre quem conhece vítimas que engravidaram após um estupro, a maioria declara que elas não interromperam a gestação. Estamos falando de uma violação do direito de acesso ao aborto em um caso previsto por lei desde 1940. Então, o que a pesquisa nos mostra é que as meninas e mulheres que são vítimas de estupro no Brasil ficam completamente desamparadas, muitas não recebem apoio nem dos familiares e enfrentam sozinhas a dor e o trauma da violência sexual e o risco de uma gravidez após o estupro”, afirma Marisa Sanematsu, diretora de conteúdo do Instituto Patrícia Galvão.

“A pesquisa mostra que três em cada quatro mulheres vítimas de estupro não buscaram serviços de apoio, como delegacias ou unidades de saúde. O medo pela ameaça do agressor, a sensação de que não vão acreditar na denúncia e a vergonha de contar o ocorrido são barreiras concretas para a denúncia e, consequentemente, para o acesso a direitos. Isso evidencia a necessidade de termos serviços mais preparados para acolher essas mulheres com escuta e proteção e revela como a falta de informação faz com que muitas vítimas enfrentem sozinhas uma gravidez indesejada ou a exposição a ISTs”, afirma Maíra Saruê Machado, diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva.

Acesse aqui o aviso de pauta sobre a primeira onda de resultados da pesquisa

Sobre a pesquisa
A pesquisa de opinião Percepções sobre direitos de meninas e mulheres grávidas pós-estupro mapeou as percepções, experiências e conhecimentos da população brasileira sobre a prática do estupro, com foco no direito de meninas e mulheres ao aborto legal e seguro. Pesquisa quantitativa digital com questionário de autopreenchimento e com amostra não ponderada de 1.200 entrevistas com homens e mulheres de 16 anos ou mais de todas as regiões do país. Período de campo: de 11 a 25 de julho de 2025. Margem de erro: 2,8 p.p. As perguntas cujas somas dos percentuais não totalizam 100% são decorrentes de arredondamentos ou de respostas múltiplas. 

Contatos para imprensa
Julia Cruz – Instituto Patrícia Galvão |(11) 98482-2628| Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Patrícia Castello – GBR Comunicação/Instituto Locomotiva |(61) 8134-5093| Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Consulte também o Banco de Fontes com dados e contatos de especialistas em violência de gênero de todo o país

fonte: https://agenciapatriciagalvao.org.br/mulheres-de-olho/dsr/8-em-cada-dez-vitimas-de-estupro-nao-buscaram-nenhum-atendimento/