Dia Internacional da Mulher terá atos em várias cidades com as bandeiras “Pelo direito à vida, por maior representação política, em defesa da soberania dos povos e pelo fim da escala 6x1”

 

 

5 Março, 2026 - 19h47 | Última modificação: 06 Março, 2026 - 08h00

Escrito por: Redação CUT | texto: André Accarini

 CUT
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Como em todos os anos, em 2026, as mulheres da CUT, organizadas pelo Coletivo da Mulher Trabalhadora, que reúne sindicalistas das CUTs estaduais e de entidades filiadas, além de movimentos feministas, irão às ruas neste 8 de Março – Dia Internacional da Mulher – para reafirmar a luta por direitos, igualdade e pelo fim da violência de gênero. Veja ao final os locais onde haverá atos no 8 de Março

Este ano, a mobilização ganha ainda mais força diante da realidade alarmante que o país enfrenta. Casos recorrentes de violência contra mulheres e o registro de quatro feminicídios por dia no Brasil evidenciam a gravidade do problema e reforçam o chamado das trabalhadoras: basta de feminicídio.

Os atos deste ano serão realizados com o mote “Pelo direito à vida, por maior representação política, em defesa da soberania dos povos e pelo fim da escala 6x1.” A mobilização também destacará a necessidade de enfrentar as desigualdades que atingem especialmente as mulheres trabalhadoras, em particular negras, periféricas, indígenas e do campo.

Neste contexto, o Coletivo da Mulher Trabalhadora da CUT divulgou um manifesto que orienta a mobilização deste 8 de Março.

MANIFESTO – 8 DE MARÇO DE 2026
Coletivo da Mulher Trabalhadora da CUT

O 8 de março é um dia de memória, luta e reafirmação de compromissos com a vida das mulheres. É uma data que nasce da resistência das trabalhadoras, da coragem de quem enfrentou jornadas exaustivas, salários injustos e a violência cotidiana para conquistar direitos e dignidade.

No Brasil, seguimos vivendo uma realidade alarmante: a cada 24 horas, quatro mulheres são vítimas de feminicídio. Esse dado escancara o quanto a violência de gênero continua sendo uma chaga aberta em nossa sociedade, atingindo especialmente as mulheres trabalhadoras, negras, periféricas, indígenas e do campo.

Também denunciamos o avanço do imperialismo e das políticas que aprofundam a exploração, a desigualdade e a retirada de direitos em todo o mundo. As mulheres trabalhadoras são as primeiras a sentir os impactos das guerras, das sanções econômicas e das medidas de austeridade. Defender a vida das mulheres também é lutar pela soberania dos povos, pelo direito à autodeterminação, por desenvolvimento com justiça social e pela construção de um projeto de país que coloque a vida acima do lucro.

Diante desse cenário, a Central Única dos Trabalhadores reafirma a importância do Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa conjunta do Legislativo, Executivo e Judiciário que busca enfrentar, de forma integrada, a escalada da violência contra as mulheres. O pacto representa um passo fundamental para fortalecer políticas públicas, garantir proteção, responsabilizar agressores e afirmar o direito das mulheres à vida.

Mas sabemos: não há enfrentamento à violência sem justiça social. A precarização do trabalho, a sobrecarga gerada pelos cuidados domésticos — atribuídos geralmente às mulheres —, a desigualdade salarial e a falta de representação política aprofundam as condições de vulnerabilidade das mulheres. Por isso, nossa luta é ampla e coletiva.

Neste 8 de março, a CUT convoca as trabalhadoras e trabalhadores a ocuparem as ruas e os espaços de decisão com o mote: “Pelo direito à vida, por maior representação política, em defesa da soberania dos povos e pelo fim da escala 6x1.”

Defendemos políticas públicas que garantam autonomia econômica, combate ao assédio e à discriminação, creches, saúde integral, educação de qualidade e um mundo do trabalho que respeite a vida das mulheres.

Seguiremos organizadas, mobilizadas e solidárias, porque quando uma mulher avança, nenhuma deve ficar para trás. A luta feminista é uma luta por democracia, justiça social e dignidade para toda a classe trabalhadora.

Central Única dos Trabalhadores (CUT)

Clique aqui baixar para a versão em PDF

Veja onde haverá atos no 8 de Março

Obs.: Relação por cidades, em ordem alfabética. Lista em atualização – outros atos ainda estão sendo organizados

 Aracaju (SE)

  • Feira do Conjunto Bugio
    8 de março – 8h 
  • Belém (PA)
    Escadinha
    8 de março – 9h 
  • Belo Horizonte (MG)
    Praça Raul Soares
    8 de março – 9h 
  • Boa Vista (RR)
    Portal do Milênio – Centro
    8 de março – 18h 
  • Brasília (DF)
    Estacionamento do Espaço Ibero-Americano
    8 de março – concentração às 13h e marcha às 15h 
  • Campo Grande (MS)
    Entre as ruas Barão e 14 de Julho
    7 de março – 8h30 
  • Caju (RN)
    8 de março – 9h 
  • Curitiba (PR)
    Praça Santos Andrade
    8 de março – 9h 
  • João Pessoa (PB)
    Praça da Paz
    8 de março – 15h 
  • Londrina (PR)
    Calçadão em frente ao Cine Teatro Ouro Verde
    7 de março – 9h às 13h 
  • Maceió (AL)
    Caminhada na Orla – Praia de Sete Coqueiros, Pajuçara
    7 de março – 9h 
  • Maringá (PR)
    Praça Rocha Pombo
    8 de março – 9h 
  • Mocajuba (PA)
    Concentração em frente ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais
    8 de março – 7h 
  • Porto Alegre (RS)
    Concentração no Largo dos Açorianos, com caminhada até a Praça do Aeromóvel
    8 de março – 9h30 às 16h 
  • Recife (PE)
    Concentração na Praça do Diário até o Shopping Boa Vista
    9 de março – concentração às 16h e saída às 17h30 
  • Rio de Janeiro (RJ)
    Copacabana – marcha do Posto 3 ao Posto 1
    8 de março – concentração às 10h 
  • Salvador (BA)
    Barra
    8 de março – 9h 
  • São Paulo (SP)
    Concentração em frente ao MASP, na Avenida Paulista
    8 de março – 14h 
  • Teresina (PI)
    Praça Pedro II
    8 de março – 8h30 
  • Vitória (ES)
    Praça Getúlio Vargas – Centro
    6 de março – 14h

 

fonte: https://www.cut.org.br/noticias/manifesto-8-de-marco-cut-vai-as-ruas-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher-0d16

 

 

Educadoras da América Latina se reúnem na Bahia por igualdade e democracia

Mesa de abertura destaca soberania, enfrentamento à violência de gênero e fortalecimento da atuação das mulheres na educação

3 Março, 2026 - 12h21 | Última modificação: 03 Março, 2026 - 12h45

Escrito por: CNTE | Editado por: CNTE

 Geovana Albuquerque/CNTE
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A cidade de Salvador (BA) sedia, nesta terça (3) e quarta-feira (4), o Encontro Regional da Rede de Trabalhadoras da Educação da Internacional da Educação para a América Latina (Ieal), realizado no Hotel Fiesta.

O evento reúne lideranças sindicais, educadoras e representantes governamentais de diversos países para debater igualdade de gênero, combate à violência e fortalecimento da atuação das mulheres nos sindicatos e na educação pública.

A mesa de abertura contou com a participação de Fátima Silva, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE); Heleno Araújo, vice-presidente da Internacional da Educação; Roberto de Leão, vice-presidente da Internacional da Educação América Latina (IEAL); Regina Witt, Diretora de Relações Internacionais da PROIFES; Edilene Arjoni, coordenadora da Secretaria da Mulher da CONTEE; Rowena Brito, Secretária de Educação do Estado da Bahia;  Neusa Cadore, Secretária das Mulheres do Estado da Bahia e Valdir Silva, presidente da ASPROLF e da FTE-BA.

Geovana Albuquerque/CNTEGeovana Albuquerque/CNTE

Ao dar as boas-vindas às delegações internacionais, Fátima Silva destacou o orgulho de realizar o encontro na Bahia e reafirmou a identidade latino-americana das educadoras.

“Eu sou trabalhadora da educação e tenho muito orgulho de estar na Internacional da Educação. Estamos na Bahia, e é tão bom viver essa energia”, afirmou.

Fátima ressaltou que as mulheres da educação estão presentes nas principais lutas sociais do continente. “Somos mulheres da América Latina. Somos educadoras. Fazemos da nossa profissão a luta na defesa da educação pública em todo o continente. Estamos presentes nas lutas por autonomia, soberania e democracia.”

Em tom firme, reforçou o compromisso com a paz e a autodeterminação dos povos. “Nós mulheres somos pela paz. Não existe guerra santa, não existe guerra justa. Reafirmamos nosso compromisso com a soberania do nosso continente e com o bem-estar do nosso povo.”

Ao destacar o simbolismo da Bahia, ela valorizou a ancestralidade e a diversidade do território. “Estamos na Bahia de todos os santos, de todos os orixás, de todas as cores e sabores. Terra de mulheres guerreiras, de ancestralidade viva, de quilombolas, indígenas e de gente que respeita sua história.”

Para a presidenta da CNTE, o encontro fortalece a unidade das trabalhadoras da educação na América Latina. “Somos mulheres de luta, de todas as razões e das justas causas dos nossos países. Seguiremos comprometidas com a defesa constante da soberania, da democracia e da educação pública.”

Representando a Costa Rica, Gilda Montero abriu as falas destacando a força coletiva das mulheres da educação na América Latina.

“Somos mulheres diversas, jovens, adultas, indígenas, rurais, urbanas, mulheres LGBT e mais. Somos cuidadoras, trabalhadoras incansáveis que sustentam o mundo”, afirmou. Ela ressaltou que a mobilização é um ato de amor pela profissão e pelas comunidades, reforçando que a luta por condições dignas de trabalho e por orçamento adequado à educação está diretamente ligada à defesa dos direitos de meninas, meninos e jovens.

“Somos fortes, valentes, valiosas. E juntas, absolutamente juntas, ninguém nos detém nem nos deterá”, declarou.

Violência de gênero

Heleno Araújo trouxe dados alarmantes sobre a violência de gênero no ambiente escolar brasileiro. Segundo ele, em 2024 foram registrados 15.759 casos de violência interpessoal em instituições de ensino, um aumento de 23% em relação ao ano anterior. As meninas representam 58% das vítimas nos registros gerais e 84% nos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes.

O dirigente também chamou atenção para o assédio cotidiano nas escolas: 70% dos docentes do Ensino Fundamental II e Médio já presenciaram comentários sexualizados sobre o corpo de alunas, e 42% relataram episódios de meninos tocando meninas sem consentimento.

Heleno destacou ainda o lançamento do Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio pelo governo federal e defendeu que os sindicatos incorporem de forma prioritária a pauta do combate à violência contra mulheres e meninas. “É preciso repensar a estrutura sindical e tratar esse tema como central na nossa ação”, afirmou.

Roberto Leão reforçou o papel estratégico da escola na mudança da cultura machista. Para ele, o enfrentamento às desigualdades de gênero precisa começar desde a educação infantil.

“A escola tem papel fundamental na transformação dessa cultura milenar que submete as mulheres. Não basta termos leis importantes, como a Lei Maria da Penha. Precisamos mudar mentalidades”, pontuou.

Ele defendeu o empoderamento das mulheres e a participação ativa de homens aliados na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

A secretária de Políticas para as Mulheres do Estado da Bahia, Neusa Cadore, destacou que não há democracia plena sem a presença efetiva das mulheres nos espaços de decisão. Ao lado da secretária estadual de Educação da Bahia, Rowenna Brito, reafirmou o compromisso do governo baiano com a educação pública, a equidade de gênero e o fortalecimento das políticas para as mulheres.

“Cada vez que uma professora incentiva uma menina a ser cientista, dirigente ou presidenta, estamos mexendo com a estrutura da sociedade”, afirmou Neusa. 

Com o tema voltado à ampliação da presença e da voz das mulheres nos sindicatos e nos espaços de poder, o Encontro Regional reafirmou o compromisso da Internacional da Educação América Latina com a construção de uma educação emancipadora, democrática e feminista.

fonte: https://cnte.org.br/noticias/educadoras-da-america-latina-se-reunem-na-bahia-por-igualdade-e-democracia-b9ef

 

Movimentos feministas entregam manifesto com mais de 300 assinaturas ao governo federal

Documento apresenta demandas de políticas públicas sobre trabalho, aborto, violência, racismo e democracia

Representantes de organizações feministas entregam manifesto ao governo federal em mobilização nacional antes do 8 de Março. | Crédito: Marla Galdino/MMulheres

Movimentos feministas e organizações sociais entregaram nesta quinta-feira (5) ao governo federal um manifesto público e um documento com reivindicações prioritárias para políticas voltadas às mulheres no Brasil.

O texto, organizado pela Articulação Nacional do 8 de Março e assinado por mais de 300 organizações, reúne demandas que vão do fim da escala de trabalho 6×1 à ampliação das políticas de enfrentamento à violência de gênero, passando pela legalização do aborto, justiça racial e defesa da democracia.

A entrega do documento ocorreu em Brasília e foi dirigida à ministra das Mulheres, Márcia Lopes, e ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. O ato marca o início da mobilização nacional em torno do Dia Internacional de Luta das Mulheres previstas para ocorrer em diversas cidades do país.

Pela vida das mulheres

Organizada por uma rede que reúne 42 organizações feministas, sindicatos, movimentos populares e coletivos de diferentes regiões do Brasil, a articulação construiu o manifesto ao longo de reuniões realizadas desde janeiro deste ano. As propostas apresentadas também dialogam com debates e resoluções da 5ª Conferência Nacional de Políticas Públicas para as Mulheres, realizada em Brasília em 2025.

Com o título “Pela vida das mulheres: contra o imperialismo, por democracia, soberania e pelo fim da escala 6×1”, o documento busca conectar reivindicações históricas do movimento feminista a debates políticos e econômicos atuais. 

Militante da Marcha Mundial das Mulheres, Maria Fernanda Marcelino, afirma que a construção coletiva do manifesto consolidou uma agenda comum do movimento feminista para o próximo período. “O mais importante foi a unidade em torno dos temas prioritários que nós vamos levar para o 8 de março deste ano de 2026 e também para o ano todo, que tem a ver com a defesa intransigente da vida das mulheres”, disse.

O manifesto aponta preocupações com o avanço da extrema direita, a disseminação de misoginia nas redes sociais e a influência de grandes empresas de tecnologia na propagação de discursos conservadores.

Movimentos se reuniram para debater bandeiras de luta, no ministério das mulheres, junto da ministra Marcia Lopes. | Crédito: Marla Galdino/

Entre as principais bandeiras apresentadas está o fim da escala de trabalho 6×1. Para os movimentos, a mudança é central para reduzir desigualdades no mundo do trabalho, especialmente para as mulheres, que acumulam jornada remunerada e trabalho doméstico.

Agenda de lutas feminista

Segundo Fernanda Marcelino, a reivindicação pelo fim da escala 6×1 está diretamente ligada às desigualdades de gênero. “Nós sabemos que as mulheres estão majoritariamente nessa escala, ganhando muito pouco e sobrecarregadas do trabalho doméstico e de cuidados”, afirmou.

Outro eixo central do manifesto trata da ampliação das políticas públicas para enfrentar a violência contra as mulheres. O documento reivindica a criação de uma lei extrateto no valor de R$ 10 bilhões para financiar ações coordenadas pelo Ministério das Mulheres, além da expansão da rede de atendimento com centros especializados, casas de acolhimento e unidades da Casa da Mulher Brasileira.

Os movimentos também pedem a rejeição do projeto de lei conhecido como “Programa Minha Primeira Arma”, argumentando que a ampliação do acesso a armas de fogo pode agravar os índices de feminicídio. Dados citados no manifesto indicam que, em 2025, a maioria das 1.470 mulheres assassinadas no país eram mulheres negras e que grande parte dos crimes ocorreu dentro de casa, cometida por parceiros ou ex-parceiros.

Na área dos direitos reprodutivos, o manifesto defende a legalização do aborto como direito fundamental e a ampliação do acesso seguro e humanizado ao procedimento nos casos já previstos em lei. O documento também propõe políticas de redução de danos para meninas e mulheres que interrompem a gravidez, além de atendimento integral às vítimas de violência sexual.

“Isso envolve garantir direitos das meninas e das pessoas que gestam, mas também discutir como dividir com o Estado e com a sociedade o trabalho doméstico e de cuidados que hoje recai majoritariamente sobre as mulheres”, acrescentou Maria Fernanda, da Marcha Mundial das Mulheres.

As reivindicações também incluem pautas como a retomada da reforma agrária, o reconhecimento da agroecologia como estratégia para enfrentar as mudanças climáticas e a demarcação de terras indígenas e quilombolas. O manifesto ainda pede a reativação do Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara).

Outro eixo do documento aborda o enfrentamento ao racismo estrutural. As organizações reivindicam ações permanentes de educação antirracista e políticas para reduzir a letalidade da população negra, especialmente diante das denúncias de violência policial contra jovens negros no país.

Por fim, o manifesto traz posicionamentos sobre democracia e política internacional. O texto defende a regulação das plataformas digitais, maior participação das mulheres nos espaços de decisão do Estado e manifesta solidariedade às mulheres de países como Palestina, Venezuela e Cuba.

Com a entrega do manifesto, as organizações feministas esperam ampliar o debate público sobre as políticas necessárias para garantir direitos e reduzir desigualdades de gênero no Brasil. As mobilizações previstas para o 8 de março devem reforçar essa agenda nas ruas e pressionar o poder público a responder às reivindicações apresentadas.

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