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| segunda-feira, 10 de agosto de 2026 |
| EDIÇÃO ESPECIAL DE ANIVERSÁRIO |
O Brasil que os dados nos ajudaram a enxergar
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| 10 anos transformando dados em caminhos para a transformação social. |
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Hoje, a Gênero e Número completa uma década de existência. Nascemos de uma pergunta simples, mas fundamental: quem fica invisível quando os dados não contam toda a história?
Ao longo desses dez anos, descobrimos que os dados não são apenas números. Eles revelam quem é contado e quem permanece invisível. Expõem desigualdades, mas também apontam caminhos para enfrentá-las. Quando produzidos e interpretados com responsabilidade, tornam-se uma ferramenta para fortalecer direitos, qualificar o debate público e ampliar a democracia.
Foi isso que buscamos construir ao longo de toda a nossa trajetória. Produzimos reportagens, pesquisas, monitoramentos, metodologias, formações e tecnologias que ajudaram a transformar informação em evidências para a incidência, o jornalismo e a formulação de políticas públicas.
Mas esse aniversário não é apenas um momento para olhar para trás. É também uma oportunidade de reconhecer todas as pessoas, organizações e movimentos que caminharam conosco e ajudaram a construir essa história.
Nenhuma transformação, afinal, acontece sozinha. Ela floresce no encontro entre diferentes saberes, na colaboração e na convicção de que informação de qualidade pode mudar mundos.
Foi assim que nasceram iniciativas como o Mapa Nacional da Violência de Gênero, aproximando dados e políticas públicas para o enfrentamento da violência; o Radar Antigênero, monitorando narrativas de desinformação e seus impactos na democracia; o estudo Da Marcha ao Bem Viver, reunindo evidências sobre a realidade das mulheres negras no Brasil; e o labGn, ampliando nossa atuação em pesquisa aplicada, formação e comunicação estratégica.
Cada projeto abriu novas perguntas. Cada parceria ampliou nossa capacidade de compreender o país. Cada dado nos aproximou de histórias que precisavam ser contadas.
Para celebrar tudo que a Gênero e Número lutou para ser, publicamos um manifesto pelos nossos 10 anos, reunindo os princípios que orientaram nosso trabalho até aqui e os compromissos que queremos assumir para a próxima década.

E, para você se achegar à GN nesse momento tão especial, convidamos as pessoas da nossa equipe a responder uma mesma pergunta:
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| Nestes 10 anos, o que a Gênero e Número mostrou a você sobre o poder dos dados e das narrativas? |
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As respostas passam por diferentes projetos, encontros e aprendizados, mas todas apontam para uma mesma certeza: produzir evidências também é uma forma de transformar o mundo.
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Vitória Régia da Silva
diretora executiva da GN
PROJETO · Da Marcha ao Bem Viver
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O estudo Da Marcha ao Bem Viver me mostrou que produzir dados também é um ato de reparação. Quando transformamos a experiência histórica das mulheres negras em evidências, afirmamos também seu direito de existir nos dados, ampliamos sua presença no debate público e fortalecemos a luta por direitos. Os dados deixam de apenas descrever desigualdades e passam a disputar narrativas sobre o futuro que queremos construir.
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Bruna de Lara
coordenadora de jornalismo e distribuição da GN
PROJETO · Mapa Nacional da Violência de Gênero
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Trabalho com cobertura de violência de gênero há quase 10 anos, e a descoberta do Mapa mudou completamente meu dia a dia. Essa é uma plataforma que reúne dados sobre o tema coletados em diferentes bases, como as da saúde, as da segurança pública e do Judiciário. Acessar todos esses números em um único lugar não só poupa tempo, como nos permite ter uma visão mais clara da realidade da violência no Brasil – e isso é inestimável.
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Lara Martins
coordenadora de desenvolvimento institucional da GN
PROJETO · labGn
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O labGn representa um passo importante para o fortalecimento do campo da sociedade civil. Mais do que oferecer serviços, queremos contribuir para que organizações tenham acesso a metodologias, análises e narrativas capazes de transformar dados em estratégia, incidência e impacto.
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Meyrele Torres
coordenadora de design da GN
PROJETO · Radar Antigênero
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O Radar Antigênero mudou minha forma de pensar o combate à desinformação. Não basta monitorar o que circula: é preciso traduzir esse volume em algo que se possa ver e entender. Cada visualização da plataforma me lembra que, entre a evidência e a transformação, existe sempre um trabalho de linguagem, e é ali que o design faz diferença.
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Miriã Damasceno
assistente de comunicação da GN
PROJETO · Campanhas e eventos
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Nos meus anos de GN, acompanhar as campanhas e eventos me colocou de frente a um universo gigante de mulheres negras e pessoas superdispostas a se organizar por um futuro melhor e palpável para a gente. Fazer parte disso me mostrou que nossos dados e pesquisas vão muito além dos números: eles juntam gente, fortalecem redes e dão gás para a ação coletiva na prática. É incrível ver como a gente transforma evidências em mobilização real e encontros que dão esperança.
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Ana Luisa Ambrosim
analista de dados da GN
PROJETO · Sem Parar
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O projeto que mais me marcou foi a pesquisa Sem Parar, que contou um pouco sobre o trabalho doméstico das mulheres durante a pandemia. Lembro que encontrei essa pesquisa por volta de 2022, e ela foi muito importante para eu entender o que eu queria para minha atuação profissional dali em diante. Além de me ajudar a ter um panorama sobre como a pandemia afetou o trabalho doméstico das mulheres, lembro de pensar: “Nossa, como esses gráficos são lindos e fáceis de entender. Eu também quero conseguir fazer isso.” Foi uma daquelas pesquisas que, além de informar, despertou em mim uma vontade de fazer parte desse universo e de produzir trabalhos que consigam comunicar dados de uma forma tão bonita e acessível.
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Gabriela Costa
coordenadora de pesquisa e dados da GN
PROJETO · Todos 
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Como pesquisadora, vou destacar a proposta da GN enquanto organização. O comprometimento com o jornalismo de dados conecta a ciência à sociedade tornando dados uma coisa cotidiana e empiricamente observável no cotidiano das pessoas, de forma que um relatório de pesquisa ou um artigo científico não dão conta. Ao mesmo tempo, as reportagens também engajam as pessoas nos mecanismos de monitoramento do poder público, chamando a atenção para a importância e limitações destes mecanismos.
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| A PRÓXIMA DÉCADA |
O que vem pela frente
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Celebrar dez anos também é renovar um compromisso.
Seguiremos produzindo jornalismo de dados, pesquisas, tecnologias e formações que fortaleçam a democracia, ampliem direitos e contribuam para que decisões públicas sejam construídas com evidências e compromisso com a justiça social.
Seguiremos defendendo que todas as pessoas tenham também o direito de existir nos dados, porque ainda existem muitas histórias que precisam ser contadas.
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| Faça parte dos próximos 10 anos |
| Nossa história sempre foi construída coletivamente. E queremos que continue assim. Por isso, estamos reativando nossa campanha de apoio no Catarse. Se você acredita na importância de um jornalismo independente, de pesquisas comprometidas com a justiça social e de dados que ampliam direitos, convidamos você a caminhar conosco na próxima década. |
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Obrigada por fazer parte dessa história.
Que venham os próximos dez anos.
Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Gênero e Número
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Gênero e Número · generonumero.media
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